| Fiscais debatem exploração no campo, na cidade e nos portos |
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| 10.10.2009 | ||||
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Durante painel que fez parte do 27º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit), fiscais sublinharam a relação do trabalho decente com o aumento de contingente e a melhoria da estrutura de apoio
Por Bianca Pyl Belém (PA) - O combate ao trabalho escravo rural e urbano, a busca pela eliminação do trabalho infantil, a precariedade do trabalho portuário e as mazelas da terceirização foram abordados durante o painel "Trabalho decente: ação da auditoria fiscal", realizado na semana passada durante o 27º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit), em Belém (PA).
Durante o debate, Joel Teixeira, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Pará (SRTE/PA), frisou que o trabalho decente depende do aumento do contingente de fiscais e da melhoria da estrutura por trás das ações. Durante a abertura do 27º Enafit, André Figueiredo, secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), lembrou que foi autorizado concurso público para a abertura de 234 vagas de auditores fiscais do trabalho. O trabalho escravo também está presente no meio urbano, conforme destacou a fiscal Ana Palmira Arruda Camargo, da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Campinas (SP). Segundo ela, houve um grande fluxo de entrada de sul-americanos no Brasil a partir da década de 1980 que aumentou a exploração dos migrantes em função da oferta de mão-de-obra barata. São Paulo possui mais de 6 mil oficinas de confecções e emprega milhares de estrangeiros, principalmente bolivianos e paraguaios. Trabalho infantil e portuário As complicadas condições de trabalho nos portos brasileiros não foram esquecidas. "Os trabalhadores portuários e aqüaviários estão submetidos a condições muito precárias, poucos têm Carteira de Trabalho assinada, eles não existem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)", descreveu Franklim Rabelo de Araújo, fiscal da SRTE/CE e integrante do Grupo Móvel de Fiscalização do Trabalho Portuário e Aquaviário. O número de acidentes no setor é alto. Porém, não há um levantamento real por causa da alta informalidade. "Nós recebemos denúncias com freqüência de acidentes, mas nem sempre conseguimos estabelecer o vínculo empregatício. Alguns pescadores morrem mergulhando para pegar lagosta ou ficam sem poder andar. Eles não têm assitência nenhuma", completou Franklim. Somente 32 auditores fiscais do Trabalho são responsáveis por inspecionar as atividades portuárias e aquaviárias em todo o país. "A fiscalização não consegue ser tão efetiva em função do número reduzido de fiscais". Campanha
"Acreditamos que conseguimos atingir nosso objetivo que era levar informação à toda sociedade sobre o trabalho escravo contemporâneo. A campanha foi muito proveitosa. Conseguimos exibir o comercial em redes de TV do país todo e veiculamos também spot da campanha em programas de rádios", contabilizou Rosa Maria Jorge Campos, presidente do Sinait.
O Sinait está preparando uma nova campanha institucional sobre trabalho decente. "O objetivo continuará sendo informar a sociedade. A campanha sozinha não muda a situação. Porém, ela mobiliza as pessoas para cobrar de quem deve combater esse problema social", explica Rosa. *A jornalista viajou a convite da organização do 27º Enafi Fonte: Repórter Brasil |