| 12 de outubro – Proteger a criança |
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| 09.10.2009 |
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Parte da responsabilidade de garantir direitos às crianças recai sobre a Fiscalização do Trabalho, realizada pelos Auditores Fiscais do Trabalho – AFTs,
Dia da criança, dia de pensar na criança, não só para dar presentes, mas para preservar sua integridade e proteger seu futuro. Parte da responsabilidade de garantir direitos às crianças recai sobre a Fiscalização do Trabalho, realizada pelos Auditores Fiscais do Trabalho – AFTs, ao retirar crianças e adolescentes dos locais onde são encontrados exercendo atividades laborais irregularmente e ao inserir adolescentes no mercado de trabalho pela lei da aprendizagem. No primeiro caso, crianças e adolescentes são afastadas do trabalho e encaminhadas para os programas do governo federal que exigem a freqüência escolar e assistem também as famílias, como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – Peti, hoje presente em quase todos os municípios brasileiros. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, de 2000 a 2008 foram retiradas 93.139 crianças e adolescentes do trabalho pela ação fiscal dos AFTs. Este ano, até agosto, o número chegou a 3.775. No segundo caso, os AFTs identificam e notificam as empresas que se enquadram nas exigências para o cumprimento da Lei nº 10.097/2000 para que contratem adolescentes a partir de 14 anos, garantindo qualificação profissional e exigindo a freqüência escolar. De 2000 a 2008, os AFTs inseriram 239.208 adolescentes. Em 2009, de janeiro a agosto, foram inseridos 42.932 adolescentes, com destaque para Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O MTE desenvolve, ainda, um trabalho de conscientização em parceria com governos estaduais e municipais, e com entidades da sociedade civil. Duas cartilhas ilustradas pelo cartunista Ziraldo foram lançadas – Saiba Tudo Sobre o Trabalho Infantil e Viva o Trabalho! – e estão sendo trabalhadas em eventos pelo Brasil afora. As cartilhas estão disponíveis no site do MTE nos links clique aqui e clique aqui 1. AFTs também participam de fóruns estaduais de erradicação e prevenção ao trabalho infantil, disponibilizam-se para realizar palestras e participar de seminários que tenham como objetivo conscientizar a sociedade sobre os males causados pela entrada precoce no mercado de trabalho, em geral em atividades insalubres e perigosas, que fazem parte de uma extensa lista das piores formas de trabalho infantil. “O Brasil tem uma das leis consideradas mais avançadas e abrangentes em relação à proteção da criança e do adolescente, o Estatuto da Criança e do Adolescente, além da Constituição Federal, Consolidação das Leis do Trabalho e Portarias que resguardam os direitos da infância. Entretanto, fazer cumprir todo este arcabouço legal, num país de tantas desigualdades e carências não tem sido fácil, nem para a Fiscalização do Trabalho, nem para o Ministério Público do Trabalho ou para o Poder Judiciário”, comenta Rosa Jorge, presidente do SINAIT. Ela lembra ainda que a fiscalização tem limites para agir, como no caso do trabalho infantil doméstico, e muitas ações dependem da continuidade de outros órgãos para ter efetividade. A despeito disso, diz a presidente, há um grande número de AFTs que se dedica ao problema e envida esforços pessoais para garantir que haja avanços no combate ao trabalho infantil. O resultado é que o número de crianças e adolescentes trabalhando tem diminuído. “Queremos a erradicação do problema, e vamos trabalhar para isso. Precisamos de mais AFTs e mais atenção do MTE para o problema. Se houver mais estrutura e pessoal, certamente os resultados serão melhores”.
Leia, a seguir, algumas notícias sobre trabalho infantil:
IBGE Suplemento Trabalho Infantil - PNAD 2006
1,4 milhão de crianças brasileiras de 5 a 13 anos trabalham
Apesar de a legislação brasileira permitir o trabalho, como aprendiz, apenas a partir dos 14 anos de idade, 1,4 milhão de crianças de 5 a 13 anos trabalhavam em 2006, sendo a maioria em atividades agrícolas e não-remuneradas – quadro que praticamente não se alterou entre 2004 e 2006. A Pnad 2006 apontou que o trabalho infantil – das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos – está associado a indicadores de escolarização menos favoráveis e ao baixo rendimento dos domicílios em que vivem . Além de estar no mercado de trabalho, quase metade (49,4%) das pessoas de 5 a 17 anos de idade realizavam afazeres domésticos em 2006, atividades destinadas com maior freqüência e intensidade às meninas. Na faixa etária de 15 a 17 anos, 24,8% dos adolescentes deixavam de freqüentar a escola para ajudar nos afazeres domésticos, trabalhar ou procurar trabalho. Apesar desse quadro de trabalho infantil e de dedicação aos afazeres domésticos, 75,8% das crianças e adolescentes de 0 a 17 anos freqüentavam a creche ou escola em 2006, onde 92,4% delas tinham acesso à merenda ou a alguma refeição gratuita na rede pública. Esses são alguns destaques do estudo “Aspectos Complementares de Educação, Afazeres Domésticos e Trabalho Infantil”, suplemento da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizado pelo IBGE em convênio com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). A seguir, os principais resultados da pesquisa, cuja íntegra está em www.ibge.gov.br . A inserção na atividade econômica da população de 5 a 13 anos de idade, apesar de proibida por lei no país, não se alterou entre 2004 1 e 2006: o nível de ocupação 2, manteve-se por volta de 4,5% nesse período. Na faixa de 5 a 9 anos de idade, 237 mil crianças trabalhavam (1,4% do total); enquanto, entre as de 10 a 13 anos de idade, 8,2%, ou 1,2 milhão de pessoas, estavam ocupadas. Na faixa etária de 14 ou 15 anos, quando a legislação permite o trabalho em atividades relacionadas à qualificação profissional, na condição de aprendiz, 1,3 milhão de pessoas (19,0%) estavam ocupadas em 2006. Por fim, 2,4 milhões de adolescentes com 16 ou 17 anos de idade (cerca de 1/3) trabalhavam – o que também é permitido, desde que não seja em atividades noturnas, perigosas e insalubres. No total (5 a 17 anos de idade), 5,1 milhões de crianças e adolescentes trabalhavam em 2006, um nível de ocupação de 11,5%, pouco menor que o registrado em 2004 (11,8%). A não-existência do trabalho infantil a partir de 14 anos de idade estava diretamente correlacionada com as maiores taxas de freqüência à escola, como mostra o gráfico a seguir, onde podem ser observadas as diferenças entre as taxas de escolarização das crianças e adolescentes ocupados e não-ocupados. O percentual de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade ocupados sem instrução ou com menos de um ano de estudo (28,0%) era superior ao dos não-ocupados (15,7%), enquanto o percentual dos ocupados com 8 a 10 anos de estudo 3 (10,0%) era inferior ao dos não-ocupados (14,2%).
62,6% das crianças de 5 a 13 anos trabalham em atividades agrícolas Das crianças e adolescentes ocupados, 41,4% estavam inseridos em atividades agrícolas; proporção que chegava a 62,6% entre aqueles de 5 a 13 anos e diminuía conforme aumentava a faixa etária. Em quase todas as regiões, o percentual do total de ocupados em atividades agrícolas na faixa etária de 5 a 13 anos de idade era superior ao daqueles envolvidos em atividades não-agrícolas, à exceção do Sudeste. Na região Nordeste, essa supremacia se estendia também à faixa etária de 14 a 17 anos. Das crianças e adolescentes ocupados com 5 a 17 anos de idade, 45,9% eram empregados ou trabalhadores domésticos; e 36,1% eram não-remunerados. À medida que aumentava a faixa etária, caía a proporção de não-remunerados e aumentava a de empregados e trabalhadores domésticos. A participação de trabalhadores na produção para o próprio consumo e na construção para o próprio uso teve comportamento similar ao dos não-remunerados, conforme o gráfico a seguir. O trabalho agrícola não-remunerado estava intensamente presente entre as crianças e adolescentes ocupados, sobretudo entre os mais novos: dos ocupados com 5 a 13 anos de idade, 95,1% estavam em atividades agrícolas e sem remuneração. Para o universo de pessoas de 5 a 17 anos de idade, essa situação se verificava em todas as regiões brasileiras, com destaque para o Sul, onde 91,0% das crianças e adolescentes ocupados desempenhavam atividades agrícolas não-remuneradas. Além desse elevado percentual de crianças e adolescentes em atividades agrícolas sem remuneração, aproximadamente 79,0% dos adolescentes de 16 a 17 anos de idade que estavam trabalhando como empregados ou trabalhadores domésticos não tinham carteira de trabalho assinada em 2006. No Nordeste, foi encontrado o menor percentual de pessoas nessa faixa etária com carteira assinada (3,8%); e no Sul, o mais alto (33,1%).
47,3% das crianças e adolescentes que trabalham não recebem por isso Em 2006, os trabalhadores de 5 a 17 anos de idade cumpriam jornada média de 26 horas semanais, inferior à dos adultos com 18 anos ou mais (41,1 horas semanais). Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a jornada média de 5 a 17 anos de idade era de aproximadamente 29 horas semanais. Da população de 5 a 17 anos de idade ocupada, 28,6% cumpriam jornada semanal de trabalho de 40 horas ou mais, percentual maior entre os homens (30,7%) do que entre as mulheres (24,8%). A proporção de crianças e adolescentes que trabalhavam 40 horas ou mais crescia conforme aumentava a faixa etária: era de 4,6% de 5 a 13 anos de idade e de 46,2% entre os adolescentes de 16 ou 17 anos. As regiões Sudeste e Centro-Oeste tinham uma concentração maior de crianças e adolescentes na faixa de 40 horas ou mais (39,4% e 36,5%, respectivamente). Uma parcela relevante das crianças e adolescentes ocupados trabalhava sem receber rendimento (47,3%), sendo que 14,1% ganhavam menos de ¼ do salário mínimo. Em 2006, o rendimento médio mensal proveniente de trabalho das crianças e adolescentes foi estimado em R$ 210, sendo que nas regiões Sudeste (R$ 242), Sul (R$ 268) e Centro-Oeste (R$ 245) era quase o dobro daquele no Nordeste (R$ 126). Em todas as regiões, o rendimento das mulheres era inferior ao dos homens. Do total de crianças e adolescentes trabalhadores no Brasil, aproximadamente 80,0% moravam em domicílios cujo rendimento médio mensal domiciliar per capita era menor que um salário mínimo. Na região Nordeste, essa proporção era de 93,1% e chegava a 95,4% na faixa etária de 5 a 13 anos.
77,9% das crianças e adolescentes ocupados trabalham porque querem No Brasil, em 2006, dos 5,1 milhões de crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos de idade ocupados, 77,9% trabalhavam porque queriam, segundo a Pnad – percentual que ficou em 76,6% entre os homens e em 80,3% para as mulheres. A proporção dos que trabalhavam por vontade própria crescia à medida que aumentava a faixa etária, chegando a 87,6% no grupo de 16 e 17 anos. O percentual de crianças e adolescentes ocupados que queriam trabalhar era inferior nas regiões Norte (67,8%) e Nordeste (69,7%). Nas demais regiões, essa opção ultrapassava 80,0%. A maior parte das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade ocupados e remunerados (63,9%) não entregava os rendimentos recebidos para os pais ou responsáveis, sendo que o percentual de homens que não entregavam o rendimento (61,1%) era inferior ao de mulheres (68,2%). Mais da metade das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade ocupados em 2006 (57,4%) não havia recebido treinamento ou orientação de como evitar machucados ou doenças no trabalho. Esses percentuais eram mais altos nas regiões Nordeste (63,6%) e Centro-Oeste (62,6%), enquanto a região Sul tinha o maior percentual de crianças e adolescentes que havia recebido treinamento (52,8%). O percentual de homens de 5 a 17 anos de idade (45,3%) que recebeu treinamento ou orientação para evitar machucados ou doenças no trabalho era superior ao de mulheres (37,4%) e se reduzia à medida que aumentava a faixa etária. Pouco mais da metade das crianças de 5 a 13 anos de idade (50,2%) haviam recebido treinamento. Na faixa de 14 a 17 anos de idade, o percentual era de 39,6%. Dentre as crianças e adolescentes ocupados, 94,7% não tiveram machucados ou doenças em razão de atividades laborais em 2006 – o que significa que 273 mil pessoas de 5 a 17 anos de idade sofreram machucados ou doenças por causa do trabalho naquele ano. Em todas as regiões, o percentual de machucados ou doenças causados por atividades laborais foi inferior a 8,0%, sendo maior em atividades agrícolas (6,4%) do que nas não-agrícolas (4,6%).
Quase metade das crianças e adolescentes realiza afazeres domésticos No Brasil, em 2006, 49,4% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade exerciam afazeres domésticos 4, o que correspondia a um contingente de 22,1 milhões de pessoas. Essa atividade era destinada com maior freqüência e intensidade às meninas. Na faixa etária de 5 a 17 anos, pouco mais de um terço (36,5%) dos homens cuidavam dos afazeres domésticos, enquanto a proporção era de 62,6% para as mulheres – situação que se repetia em todas as faixas etárias. A participação de crianças e adolescentes em afazeres domésticos era maior nas regiões Norte (54,1%) e Sul (54,5%), enquanto o Sudeste apresentava o menor percentual (45,2%). À medida que aumentava a faixa etária, crescia o percentual de crianças e adolescentes que exerciam afazeres domésticos, conforme mostra o gráfico a seguir. Para as crianças de 5 a 9 anos, o quadro era bastante diferenciado entre as regiões, com o Sudeste e o Sul apresentando, nessa ordem, o percentual mais baixo (21,2%) e o mais alto (30,3%). Aproximadamente nove em cada dez crianças e adolescentes que exerciam afazeres domésticos freqüentavam escola. Em todas as faixas de idade, a taxa de escolarização dos que exerciam afazeres domésticos era superior à dos que não exerciam.
Crianças e adolescentes dedicam em média 10h por semana a tarefas em casa Em média, as crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade dedicavam cerca de 10,4 horas semanais aos afazeres domésticos (contra 21,2 horas entre os adultos com 18 anos ou mais). O menor número de horas era verificado na região Sul (9,3 horas); e o maior, no Nordeste (11,8 horas). Mais da metade (52,2%) das crianças e adolescentes que realizavam afazeres domésticos dedicava até 7 horas semanais a essas atividades e 26,2% gastavam de 8 a 14 horas semanais nas tarefas em casa, ou seja, 78,4% despendiam até 14 horas semanais em afazeres domésticos (média de até 2h por dia). As mulheres com 5 a 17 anos de idade exerciam as tarefas em casa com maior intensidade que os homens. Mais da metade das mulheres de 5 a 17 anos de idade (56,7%) dedicava 8 horas ou mais por semana a afazeres domésticos. Para os homens, esse percentual era de 32,9%. Cerca de 16,2% delas trabalhavam mais de 21 horas por semana em afazeres domésticos, ao passo que, para eles, esse percentual era de 3,9%. Segundo a Pnad, 45,6% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idades estavam concentradas em domicílios cuja renda per capita era de até ½ salário mínimo. Para as crianças e adolescentes que exerciam e não exerciam afazeres domésticos, essas proporções eram de 47,2% e 44,1%, respectivamente. Na região Nordeste, 70,5% das crianças e adolescentes que exerciam afazeres domésticos estavam em domicílios com rendimento per capita de até um ½ salário; já na região Sul esse percentual não atingiu 30,0%.
O rendimento domiciliar médio mensal per capita dos domicílios em que vivia alguma criança ou adolescente de 5 a 17 anos de idade que exercia afazeres domésticos foi estimado em R$ 278, inferior ao dos domicílios daqueles que não exerciam afazeres domésticos (R$ 361).
Acre apresenta o menor percentual de crianças e jovens na escola A Pnad 2006 revelou que havia no Brasil, em 2006, cerca de 59 milhões de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos de idade, dos quais, aproximadamente, 45 milhões freqüentavam escola ou creche (75,8%), percentual superior ao estimado em 2004 (73,8%). A região Norte apresentou a menor taxa de freqüência à escola ou creche (69,5%), enquanto o Sudeste tinha a maior (78,5%) Considerando as unidades da federação, o Rio de Janeiro tinha a maior taxa (80,3%); e o Acre, a menor (65,1%). Por grupos de idade, percebeu-se que a proporção de crianças de 0 a 3 anos que freqüentava creche em 2006 foi estimada em 15,5%, superior à de 2004 (13,4%). Regionalmente, a freqüência à creche variou de 19,2% no Sudeste para 8,0% no Norte. O maior incremento na taxa de escolarização, entre 2004 e 2006, foi observado para as crianças em idade de cursar o pré-escolar (4 a 6 anos), de 70,5% para 76%. Considerando a faixa de 7 a 14 anos, em idade de cursar o ensino fundamental, a taxa de escolarização ultrapassou 95,0% em todas as regiões. Por unidade da federação, vale destacar Santa Catarina (99,0%), São Paulo (98,8%) e Distrito Federal (98,7%). A menor taxa foi estimada para o Acre (94,0%). No grupo de pessoas com idade de cursar o ensino médio (15 a 17 anos), a taxa de freqüência era de 82,2% em 2006, variando de 79,1% (Norte) a 85,2% (Sudeste).
Freqüência à escola aumenta à medida que cresce o rendimento domiciliar A freqüência à escola ou creche cresce de acordo com o aumento do rendimento mensal domiciliar per capita. Enquanto para as crianças e adolescentes de 0 a 17 anos de idade residentes em domicílios com rendimento mensal domiciliar per capita na faixa de sem rendimento a menos de ¼ de salário mínimo, a taxa de freqüência a escola ou creche foi de 69,3%, para aquelas moradoras em domicílios com rendimento per capita de 2 ou mais salários mínimos, a taxa atingiu 86,0%. O mesmo comportamento foi observado em todas as regiões, contudo, vale destacar que o Nordeste apresentou o menor percentual (28,8%) dessas crianças e adolescentes fora da escola ou creche para a classe de rendimento mais baixa. Para as crianças de 7 a 14 anos de idade moradoras em domicílios com rendimento per capita de 2 ou mais salários mínimos, o ensino praticamente alcança a universalização (99,7%).
24,8% dos adolescentes entre 15 e 17 anos não iam à escola para trabalhar ou ajudar nos afazeres domésticos Em 2006, cerca de 14 milhões de crianças de 0 a 17 anos de idade, em todo o Brasil, estavam fora da escola ou creche. Destas, 82,4% tinham entre 0 a 6 anos (creche e pré-escola), 4,6% tinham de 7 a 14 anos (ensino fundamental) e 13,0%, de 15 a 17 anos (ensino médio). Para as crianças de 0 a 6 anos de idade, o principal motivo declarado foi que não freqüentavam escola ou creche por vontade própria ou de seus pais ou responsáveis (37,2%), valendo destacar que 80,9% das crianças desta faixa etária que não freqüentam escola ou creche tinham apenas de 0 a 3 anos de idade. Nas regiões Sul e Sudeste, esse motivo foi particularmente elevado (52,1% e 50,3%, respectivamente) e na Norte, sua importância foi a menor (17,8%). Ainda entre 0 a 6 anos, outros motivos determinantes para dificultar o acesso a escola ou creche foram a inexistência de escola ou creche perto de casa, falta de vaga, a escola ou creche perto de casa não oferecia outras séries ou não oferecia curso mais elevado que, juntos, correspondiam a 17,6% das justificativas para as ausências. Dentre as crianças e adolescentes de 7 a 17 anos que não freqüentavam escola, 73,8% tinham de 15 a 17 anos, e o principal motivo alegado foi que não freqüentavam por vontade própria ou de seus pais ou responsáveis ou porque concluíram a série ou curso desejado (37,8%). Outro motivo que também se revelou importante foi o relacionado a trabalho ou a afazeres domésticos: 24,8% das pessoas de 15 a 17 anos deixaram de freqüentar a escola para ajudar nos afazeres domésticos, trabalhar ou procurar trabalho.
10% das crianças da rede pública faltaram à escola devido à distância, por não ter quem as levasse, por falta de professor ou greve Em setembro de 2006, enquanto na rede pública, 45,8% das pessoas de 0 a 17 anos haviam faltado à escola ou creche pelo menos uma vez nos últimos 60 dias, na rede particular esse percentual era 40,3%. O motivo mais declarado para as crianças e adolescentes estarem ausentes da escola ou creche, pelo menos 1 dia, nesse período, foi por estarem doentes (59,6%), tanto na rede pública (58,0%) como na particular (69,1%). Por vontade própria ou dos pais ou responsáveis foi o segundo motivo mais apresentado (16,0%), sendo 16,5% na rede pública e 12,7% na rede particular. Enquanto na rede pública, 10,2% das crianças faltaram à escola no período de referência de 60 dias por não ter transporte escolar, devido à distância, por não ter quem as levasse ou por falta de professor ou greve, na rede particular o percentual foi de 3,6%. Desagregando os motivos por faixa de idade, a proporção dos que faltaram à escola ou creche por doença declinou com o aumento da faixa etária. Para as crianças de 0 a 3 anos, 74,6% faltaram pelo menos 1 dia de creche por essa razão e para os adolescentes de 15 a 17 anos, a parcela foi de 45,2%. Por outro lado, o percentual daqueles que faltaram por vontade própria ou dos pais (ou responsáveis) era maior conforme aumentava a idade. Para os adolescentes de 15 a 17 anos, 25,5% declaram não ter ido a escola por essa razão; para aqueles de 7 e 14 anos, essa estimativa ficou em 15,0%; para as crianças de 4 a 6 anos, em 10,8%; e para as crianças de 0 a 3 anos, em 8,8%.
Nordeste tem menor percentual de acesso à merenda na rede pública de ensino Na rede pública, para as creches (97,4%), pré-escola (97,2%) e ensino fundamental (96,5%), os percentuais de pessoas que tinham acesso a alguma refeição gratuita eram bastante elevados. No ensino médio o percentual era menor, 58,9%. Na rede particular, esse serviço atendia somente 16,9% do total das crianças em creche; 10,3% na pré-escola; 6,9% no ensino fundamental e 3,2% no ensino médio. Por grandes regiões, o Nordeste foi a que registrou, para a rede pública, o menor percentual (89,9%) de acesso a merenda escolar ou outra refeição gratuita. Em relação a 2004, a proporção das crianças adolescentes da rede pública que tinham acesso a alguma refeição gratuita aumentou em todas as regiões, mas, principalmente, no Nordeste (de 81,9% em 2004 para 89,9% em 2006). Nos estabelecimentos onde era oferecido algum tipo de alimentação gratuita, nem todos consumiam, e quanto mais elevado era o nível de escolaridade que freqüentavam, menor era a proporção dos que comiam os alimentos oferecidos. Em 2006, 81,9% das crianças da rede pública consumiam a alimentação oferecida gratuitamente, e na rede particular, 84,6%.
1Optou-se pela analise da evolução temporal a partir de 2004 por duas razões: é o período de comparação pertinente aos temas “Aspectos Complementares de Educação ” e “Transferência de Renda de Programa Social do Governo”, ora divulgados; e, desde 2004, a Pnad alcançou a totalidade da cobertura do território nacional, ao incluir as áreas rurais do Norte do país. 2 Proporção da população ocupada em relação ao total de população nessa faixa etária. 3 Equivalente a pelo menos o ensino fundamental completo. 4Arrumar casa, cozinhar, lavar ou passar roupas, cuidar de crianças, limpar quintal etc.
IBGE Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios - PNAD 2004 Trabalho infantil
Em 2004, no contingente de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade, 11,8% eram ocupadas. O nível da ocupação foi de 1,5% no grupo etário de 5 a 9 anos, 10,1% no de 10 a 14 anos e 31,1% no de 15 a 17 anos de idade. No contingente masculino, o nível da ocupação manteve-se mais elevado que no feminino em todos os três grupos de idade. Na faixa etária de 5 a 17 anos, o nível da ocupação masculina atingiu 15,3% e o da feminina, 8,1%. Observou-se, ainda, que a concentração em atividade agrícola aumentava com a diminuição da idade, o mesmo ocorrendo com os trabalhos sem contrapartida de remuneração. A atividade agrícola detinha 75,0% do contingente ocupado de 5 a 9 anos de idade, sendo que este percentual baixou para 59,1% na faixa etária de 10 a 14 anos e atingiu 33,9% na de 15 a 17 anos. Esse ú ltimo resultado ainda ficou acima da proporção referente ao contingente de 18 anos ou mais de idade (19,6%). O envolvimento de crianças e adolescentes em atividade econômica apresentou diferenças regionais importantes. A Região Sudeste foi a que deteve menor nível da ocupação das crianças e adolescentes (7,9%), vindo em seguida a Centro-Oeste (11,1%). Essas duas regiões foram as que apresentaram as menores proporções de pessoas de 5 anos ou mais de idade em atividade agrícola no total da população ocupada. Considerando os resultados de 2004 com a mesma cobertura geográfica abrangida anteriormente pela pesquisa, verificou-se que o nível da ocupação do grupo de 5 a 17 anos de idade continuou apresentando tendência de declínio. Em cinco anos, a participação da parcela ocupada na faixa etária de 5 a 9 anos passou de 2,4% para 1,4%, na de 10 a 14 anos, de 14,9% para 9,5%, e, na de 15 a 17 anos, de 34, 5% para 30,5%. Em 1993, esses indicadores estavam, respectivamente, em 3,2%, 19,6% e 46,0%.
FNPETI Campanha busca apoio para erradicação dos castigos físicos A campanha é desenvolvida pela Rede Não Bata Eduque, um movimento nacional a favor de uma educação familiar, institucional e comunitária sem o uso de violências. A Rede Não Bata Eduque está realizando uma campanha nacional para angariar apoios à causa da erradicação dos castigos físicos e humilhantes de crianças e adolescentes. Quem quiser manifestar o seu apoio deve acessar o site da Rede (www.naobataeduque.org.br) , na seção Contatos, e enviar uma mensagem com o título: Eu Apoio esta causa (ou como considerar mais adequado) ou ainda contribuindo para apresentação de Moção nas Conferências Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente que estão sendo realizadas no País. O movimento dissemina o entendimento de que erradicar todas as formas de castigo físico é uma estratégia fundamental para a prevenção de outras violências.
17-9-2009 – Agência de Notícias para os Direitos da Infância Seminário irá abordar 20 anos de direitos da criança e do adolescente
O projeto Criança e Adolescente: Prioridade no Parlamento irá realizar nos dias 15 e 16 de outubro, o seminário “20 Anos de Direitos da Criança e do Adolescente”. O evento faz parte das ações do projeto e tem por objetivo pautar a sociedade civil e o Congresso Nacional acerca das políticas públicas de proteção a meninos e meninas. Contatos para imprensa:
29-9-2009 – OIT Brasil OIT avalia impacto da crise econômica sobre o Trabalho Infantil e propõe novas recomendações
LIMA (Notícias da OIT) – No XX Congresso Panamericano de Meninos, Meninas e Adolescentes, o especialista regional em trabalho infantil e emprego juvenil da OIT, Guillermo Dema, apresentou o estudo Impacto da Crise Econômica Mundial no Trabalho Infantil na América Latina e recomendações para sua mitigação. O documento quantifica o impacto que a crise econômica terá sobre o trabalho infantil na América Latina e propõe recomendações para ajudar a diminuir este impacto. Proteção dos grupos mais vulneráveis Fortalecimento dos sistemas de proteção social e proteção de pessoas
Promoção da cooperação internacional
Fortalecimento do diálogo social Estas recomendações baseiam-se no documento Para recuperar-se da crise: Um Pacto Mundial para o Emprego, pactuado entre os governos e as organizações de empregadores e de trabalhadores de mais de 180 países na Conferência Internacional do Trabalho (CIT), realizada em Genebra no mês de junho deste ano.
Pesquisa Retratos do Trabalho Infantil
19/09/2009 - Correio Braziliense Escola em vez de trabalho
Embora ainda seja uma realidade para quase 1 milhão de crianças, o trabalho infantil está em queda no Brasil. Em 2008, 993 mil pessoas com até 13 anos estavam empregadas no país - uma queda de 19,2% em relação ao ano anterior, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O nível de ocupação dos brasileiros nessa faixa etária é o menor da década. Cerca de 4,5 milhões de pessoas entre 5 e 17 anos estavam ocupadas no Brasil em 2008, o que corresponde a 10,2% dos brasileiros nessa faixa etária. A maior parte trabalha no campo ou em atividades domésticas. O Nordeste tem a maior proporção de crianças e adolescentes que trabalham, e o Sudeste, a menor. A pesquisa aponta uma queda gradual desse índice desde 1992, quando ele estava em 19,6%. O vencimento médio mensal subiu de R$ 262 para R$ 269. O número de horas trabalhadas é mais baixo entre as crianças com até 13 anos, em relação aos adolescentes, assim como o rendimento: R$ 100 por mês. "A queda na faixa de 5 a 13 anos pode ser um reflexo de programas como o Bolsa Família. Mas é preciso aperfeiçoar principalmente o acesso à escola", ressalta Vicente Faleiros, professor de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB). O trabalho infantil é uma das principais causas da evasão escolar no país. A Pnad revela que a taxa de escolarização da população até 17 anos aumentou de 92,4% em 2007 para 93,3% em 2008. Mas a partir dos 16 anos, a parcela dos jovens que trocam a sala de aula pelo emprego aumenta. "A taxa de escolarização está acima da taxa de ocupação em todas as faixas etárias até 16 ou 17 anos, quando a curva se inverte. O trabalho está tirando os alunos da escola", afirma a analista da Pnad Adriana Beringuy. O resultado é que, em média, os brasileiros com mais de 18 anos tinham apenas 7,1 anos de estudo em 2008, o que não é suficiente para concluir o ensino fundamental. O pedreiro Jairo Nunes de Souza, 34 anos, pisou numa sala de aula pela primeira vez aos 15 e, um ano depois, não voltou mais. "Fiz apenas a 1ª série. Tive que sair para trabalhar", justifica o baiano de Remanso, casado e pai de quatro filhos. Desempregado, vive hoje de bicos. "Se eu tivesse estudado, talvez tivesse mais chance", lamenta. O analfabetismo entre os brasileiros com mais de 15 anos ficou em 10% em 2008 - 1 ponto percentual abaixo do ano anterior. A maior parcela dos brasileiros que não sabem ler e escrever está na população com mais de 40 anos. "O analfabetismo entre adultos ainda é preocupante", admitiu o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Comentário da Repórter Brasil Apesar do recuo demonstrado pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, o trabalho infantil continua sendo expressivo no país e requer investimento e políticas públicas combinadas de forma mais abrangente do que se possa imaginar, como retratado em matéria da Repórter Brasil.
20-5-2009 – Repórter Brasil Escola e assistência não afastam crianças do trabalho infantilPesquisa aponta que maioria (98%) das crianças e adolescentes entrevistados em 17 municípios paulistas frequentava escola e também recebia alguma ajuda de organizações sociais. Mesmo assim, 67% estavam trabalhando Por Bianca Pyl
Dados da pesquisa Retratos do Trabalho Infantil apontam que medidas de combate ao trabalho infantil não têm sido suficientes para enfrentar o problema. O levantamento constatou que quase todas as crianças e os adolescentes entrevistados (98%) em 17 municípios de São Paulo estavam na escola e eram atendidos de alguma forma por organizações sociais (governamentais e não-governamentais). Mesmo assim, 67% dos entrevistados estavam se dedicando a algum tipo de trabalho.
Em casa, na rua... O levantamento encomendado pea Fundação Telefônica mostrou que essa ocupação é predominantemente feminina (57,9%). Do total de crianças e adolescentes que executam atividades domésticas, 53% tem entre 10 e 13 anos. Os dados também apontam que meninas e meninos que se dedicam ao trabalho doméstico moram em casas com maior número de pessoas.
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Fonte: SINAIT |