| Grupo Móvel resgata 28 trabalhadores em condições degradantes |
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| 27.04.2010 | ||||||||
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Entre 1995 e 2010, o MTE realizou 953 operações de fiscalização visando a erradicação do trabalho escravo.
No grupo, localizado em fazenda, no Pará, havia quatro mulheres e um adolescente. Ao todo, trabalhadores receberam mais R$ 116 mil de verbas rescisórias e indenizações por dano moral individual Brasília, 27/04/2010 - O Grupo Especial de Fiscalização Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 28 trabalhadores em condições degradantes em uma fazenda no município de Santa Maria das Barreiras (PA). Três mulheres e um adolescente estão entre os resgatados. A ação ocorreu entre os dias 27 de janeiro e 05 de fevereiro. Segundo o coordenador da ação, o Auditor Fiscal do Trabalho Klinger Moreira, as condições a que estavam submetidos os trabalhadores eram precárias nas frentes de trabalho e nos alojamentos. "Eles não tinham acesso nem mesmo a água potável e instalações sanitárias apropriadas. O trabalhadores bebiam água retirada direto das grotas do rio, sem garantia de qualidade, e não havia condições mínimas de higiene", destaca Klinger. Após o resgate e a lavratura de 20 Autos de Infração contra a empresa responsável pela contratação dos trabalhadores, os fiscais do MTE tomaram todas as providências para o pagamento das verbas rescisórias e das indenizações por dano moral individual, que ao todo alcançaram R$ 116.351,20. Grupo Móvel - Formadodo por Auditores Fiscais do Trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho e agentes da Polícia Federal e Rodoviária Federal, o grupo atua em nível nacional na fiscalização do cumprimento dos direitos trabalhistas em atividades rurais. Ação do MTE - Entre 1995 e 2010, o MTE realizou 953 operações de fiscalização visando a erradicação do trabalho escravo. Ao todo, foram inspecionados 2.555 estabelecimentos, libertados 36.759 trabalhadores e efetuado o pagamento de R$ 53.943.034,13, em verbas rescisórias e indenizações por dano moral individual. Fonte: Assessoria de Imprensa do MTE
Leia Também: *Fazenda com 30 mil cabeças de gado mantinha 28 escravos Operação do grupo móvel encontrou trabalhadores em construções precárias, submetidos a longas jornadas e pressionados por cobranças indevidas em fazenda da CSM Agropecuária, do reincidente Celso Silveira Mello Filho Por Rodrigo Rocha Não foi desta vez que a fiscalização radicalizou na cobrança excessiva de normas trabalhistas após se deparar com um cenário de despadronização de camas em alojamentos preparados e de refeições protegidas pela sombra fresca da vegetação, como quer alardear a pressão ruralista.
As libertações de condição análoga à escravidão ocorreram na Fazenda Tarumã, em Santa Maria das Barreiras (PA), que pertence à CSM Agropecuária S/A. Com cerca de 30 mil cabeças de nelore, gado leiteiro, sede, diversas máquinas e outras construções, a propriedade dispõe até de pista de pouso, com hangar, para aviões de pequeno porte. De acordo com a fiscalização, a Tarumã atuava como fornecedora da JBS Friboi, que manteve relações em 2008 com donos de áreas embargadas por problemas ambientais (Conexões Sustentáveis São Paulo - Amazônia). Recentemente, o JBS Friboi se associou ao Bertin (parte indireta em dois casos de escravidão em 2009: nas obras de pedágio de uma rodovia em São Paulo e numa fazenda de gado no Tocantins, bem como num episódio de ataque a indígenas próximo a usina no Mato Grosso do Sul) e à norte-americana Pilgrim´s Prider para formar uma das maiores empresas do segmento no mundo.
Os empregados foram contratados para trabalhos rotineiros da fazenda como montagem de cercas e criação de gado (vaqueiros, capatazes e ajudantes). Por conta da distância para o núcleo urbano mais próximo, costumavam sair apenas uma vez por mês da propriedade, quando recebiam o pagamento.
As condições para o desempenho do trabalho foram consideradas degradantes. Alguns homens que construíam cercas tinham de andar diariamente 6 km até a frente de instalação dos mourões, carregados muitas vezes pelos próprios. A água levada para o local não durava até o fim do dia. A comida era de péssima qualidade, em baixa quantidade e de baixo valor nutritivo.
O pagamento dos libertados foi feito na mesma semana da fiscalização. Já as reformas necessárias nos alojamentos e outras adequações exigidas ganharam prazo de até 120 dias para regularização. MPF denuncia gestores de usina de açúcar no Rio por trabalho escravo Carta enviada à Revista Veja - 28.04.2010
Trabalho escravo – Os flagrantes continuam
Pesquisa CNA x Entrevista Páginas Amarelas da Veja
Apesar das declarações da senadora Kátia Abreu (DEM/TO) em entrevista concedida à Revista Veja desta semana, a Fiscalização do Trabalho no Brasil, infelizmente, continua a constatar a presença de trabalho escravo. Os flagrantes persistem, seja em ações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, seja nas inspeções realizadas pelos Grupos Rurais das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego – SRTEs. A senadora, que é também presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, concedeu entrevista à Revista Veja (páginas amarelas) criticando o “rigor” da Norma Regulamentadora – NR nº 31 (trabalho rural) e caricaturando as situações de trabalho escravo encontradas pelos Auditores Fiscais do Trabalho. “O que se nos apresenta como evidente é o reiterado descumprimento da legislação trabalhista por fazendeiros, fato, aliás, constatado por recente pesquisa da própria CNA. As ações do Grupo Móvel e das equipes de Fiscalização Rural são criteriosas, tudo é fartamente documentado em filmagens, fotografias e testemunhadas pelos Procuradores do Ministério Público do Trabalho e Policiais Federais e em inúmeros processos que tramitaram e tramitam no Judiciário brasileiro", ressalta a presidente do SINAIT, Rosângela Rassy. A pesquisa da CNA foi feita por cerca de 200 pessoas treinadas pela entidade que visitaram fazendas e constataram que apenas cerca de 1% dos mais de mil empresários cumprem a legislação trabalhista, segundo informações divulgadas pela coluna de Mônica Bérgamo no jornal Folha de São Paulo e reproduzida no site do SINAIT no dia 26 de março deste ano, há um mês atras, portanto (leia abaixo). Os dados recolhidos e documentados pelos AFTs nas ações fiscais constituem-se provas e são utilizados pela Justiça em ações que, cada vez mais, impõem penas a empresários pelo crime previsto no artigo 149 do Código Penal. “As situações encontradas pelos AFTs e caracterizadas como trabalho escravo são extremas, são indignas, são repugnantes e inaceitáveis. Sabemos que não são todos os fazendeiros que praticam a exploração, mas os que assim procedem têm que ser punidos e, infelizmente, eles existem, não são lenda. Quando as irregularidades não se caracterizam como neoescravidão, os AFTs orientam pelo reparo da situação, ou autuam, de acordo com a gravidade. É preciso que a sociedade saiba que o trabalho é sério e criterioso, impessoal. O que a senadora tenta fazer é desqualificar a fiscalização e até as normas legais, que não foram inventadas pelos Auditores Fiscais nem construídas de uma hora para outra por capricho de alguém. O que se busca preservar é a vida, os direitos, a dignidade do trabalhador. Quem cumpre esses objetivos não será punido”, conclui Rosângela. Veja matérias abaixo: 26-3-2010 – Folha de São Paulo Coluna Mônica Bergamo - Na carne Uma investigação feita "in loco" em 1.020 fazendas pela própria CNA, a Confederação Nacional da Agricultura, revela que menos de 1% - é isso mesmo, 1%! - dos estabelecimentos rurais visitados por profissionais da entidade cumprem as leis trabalhistas no campo. O relatório, assinado por professores da Universidade Federal de Minas Gerais e da FGV-SP, será divulgado na próxima semana.
26-4-2010 – Repórter Brasil *Fazenda com 30 mil cabeças de gado mantinha 28 escravos*Vide matéria acimaFonte: SINAIT - Publicada em: 27-04-2010
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