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Encontro reativa esforços para erradicar trabalho escravo PDF Imprimir E-mail
19.05.2010

I Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, de 25 a 27 de maio em Brasília (DF), reunirá autoridades, especialistas, atores engajados e público interessado no combate à grave violação dos direitos humanos

18/05/2010

Por Repórter Brasil

Durante três dias, representantes do governo, de organizações de empregadores e da sociedade civil, estarão voltados para a discussão de um tema que, em pleno século XXI, ainda preocupa o Brasil: o trabalho escravo.

O I Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo - promovido pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) - reunirá autoridades, especialistas e representantes de setores envolvidos no sentido de reforçar o combate a esta grave violação dos direitos humanos.

A abertura será realizada no dia 25 de maio (terça-feira), às 19 horas, no auditório principal da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília (DF). Estarão presentes quatro ministros (Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos; Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego; Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário; e Wagner Rossi, da Agricultura e Pecuária), além do Diretor da OIT para a América Latina e o Caribe, Jean Maninat.

Os atores Wagner Moura e Leonardo Vieira, acompanhados da atriz Vic Militello, serão os mestres de cerimônia.

Além das discussões de mesas de debates que tratarão de diversos aspectos ligados ao tema -  "Por que o trabalho escravo persiste?", "O Papel do Congresso Nacional no Combate ao Trabalho Escravo" e "Trabalho Escravo e Responsabilidade Empresarial" -, dois atos deverão marcar o evento.

No dia 26, às 13 horas, haverá uma audiência na Câmara dos Deputados para a entrega de um abaixo-assinado pedindo a urgente aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco de terras de quem utilizou trabalho escravo.

No dia 27, os participantes do Encontro deverão realizar um ato público no gramado em frente ao Congresso Nacional pedindo a aprovação da chamada "PEC do Trabalho" Escravo, em evento marcado para as 14h30.

Apesar do reconhecimento dos avanços brasileiros no combate ao trabalho escravo por entidades internacionais como a OIT, o problema ainda persiste e está ligado a importantes setores econômicos. Desde o início das operações do grupo móvel de fiscalização do governo federal, em 1995, mais de 36 mil trabalhadores foram libertados dessa condição em todo o país.

A entrada é gratuita e a inscrição será feita no local do evento. Serão concedidos certificados para os participantes dos três dias do evento.

Serviço:
I Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo
25 a 27 de maio de 2010
Auditório Principal da Procuradoria Geral da República (PGR)
SAF (Setor de Administração Federal Sul), Quadra 4, Lote 3
Zona Civico Administrativa  Brasília (DF)
Informações:  (61) 3105-6403

Agenda:
25 de maio, 19h - Abertura
26 de maio, manhã - Mesas de debates (Por que o trabalho escravo persiste? e Políticas de repressão e o Sistema de Justiça)
26 de maio, 13h - Audiência na Câmara dos Deputados para entrega de centenas de milhares de assinaturas da sociedade civil pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo (PEC 438/2001)
26 de maio, tarde - Mesas de debates (O Papel do Congresso Nacional no Combate ao Trabalho Escravo e Trabalho escravo e Tráfico de Pessoas: Políticas de Prevenção e Assistência às Vítimas)
27 de maio, manhã - Mesas de debates (Trabalho Escravo e Responsabilidade Empresarial e O que falta fazer para erradicar?)
26 de maio, 12h30 - Leitura da Carta da Liberdade - resultados do evento
27 de maio, 14h30 - Ato público com participantes pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo (PEC 438/2001) em frente ao Congresso Nacional

Mais informações:
- Leonardo Sakamoto - ONG Repórter Brasil
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(11) 2506-6570 e (11) 9713-9700

- Severino Goes - OIT
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(61) 9981-2187 e (61) 2106-4634

- Vanice Cioccari - SEDH/Presidência da República
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(61) 2025-3976 e (61) 9304-0021

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Reincidente: Fazendeiro é denunciado pela segunda vez por trabalho escravo em Tapurah

por Lenita Violato última modificação 18/05/2010 11:25
O Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou os trabalhadores de uma condição descrita como “assustadora”
O fazendeiro Caetano Polato foi denunciado pelo Ministério Público Federal por trabalho escravo. Em 2001, 187 trabalhadores maranhenses foram liberados da fazenda Vale do rio Verde, em Tapurah (MT),  onde eram submetidos à condições degradantes de trabalho. Em pouco menos de um ano, esta é a segunda contra Polato pelo mesmo crime. Uma primeira ação tramita na 5ª Vara da Justiça Federal desde maio de 2009 contra ele e outras quatro pessoas ligadas ao Grupo Maggi.

Os trabalhadores foram contratados por intermédio do funcionário João Evangelista, que atuou como 'gato', e Vilson Rosenildo de Almeida, conhecido como 'cabecinha', para trabalharem na catação das raízes da vegetação que ainda restava em uma área desmatada para o plantio de soja, algodão e milho. Os trabalhadores colhiam com as próprias mãos as raízes, deixando o solo completamente limpo para o plantio. A função do catador é considerada a mais abjeta de todas, sendo reservada, regra geral, aos trabalhadores que não têm nenhuma qualificação.

Durante a fiscalização feita pelo realizada pelo Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2001, os fiscais se encontraram os trabalhadores em uma condição descrita como “assustadora”. Eles tinham os documentos retidos na fazenda, para evitar que fugissem da propriedade, e nenhum teve a carteira de trabalho assinada pelo empregador. Além de não receberem os direitos trabalhistas, as condições de higiene e alojamento eram péssimas. Depois de um dia de trabalho de até 12h diárias, sem pagamento de horas extraordinárias e o mínimo de equipamentos de segurança, os trabalhadores almoçavam a céu aberto, aproveitando a sombra dos tratores. À noite, para dormir, tinham à disposição pedaços de madeira e algumas redes penduradas por eles mesmos. Não havia iluminação, nem ventilação. O banheiro era coletivo e para lavar os utensílios  e preparar os alimentos, dispunham apenas de uma porção de bacias e baldes com água reutilizada. 

A artimanha de endividar os trabalhadores no armazém da fazenda também era usada. Por completa falta de alternativa, os trabalhadores comprometiam quase todo o salário recebido com compras no armazém, criando mais um vínculo com o empregador. Os preços altos dos produtos criavam um endividamento dos trabalhadores e impedia-os de deixar a fazenda antes de quitá-los.

Na ação proposta no dia 20 de abril de 2010, perante a Justiça Federal, o Ministério Público Federal pede a condenação de Caetano Polato por submeter trabalhadores à condições análogas a de escravos, crime previsto no Código Penal brasileiro.

O que diz a legislação:

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Assessoria de Comunicação
Fonte: Procuradoria da República em Mato Grosso
Contato com a imprensa: Lenita Violato Ferri e Marymila Mendes
Tel: (65) 3612-5000 / 9213-1191
18/05/2010 - 11h47 / Atualizada 18/05/2010 - 16h28
Para Lupi, fiscalização faz trabalho escravo migrar para outras regiões; Pará continua líder
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Em Brasília
A fiscalização do Ministério do Trabalho para combater a exploração de mão de obra análoga à escravidão tem diminuído as denúncias em Estados onde a situação era considerada crítica, como o Pará, e o problema está aparecendo com mais frequência em outras regiões.

A avaliação é do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que esta semana recebe a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre formas contemporâneas de escravidão, a advogada armênia Gulnara Shahinian.

A comissária ficará dez dias no país, mas o roteiro não incluiu nenhum município do Pará, campeão de citações na chamada lista suja do trabalho escravo, nem Estados com grande número de registros, como Goiás e Mato Grosso do Sul.

“Fizemos uma ação forte nessas regiões onde tínhamos maior número de registros. No ano passado, tivemos muitos casos no interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, por exemplo. Há um redirecionamento, porque a fiscalização começou a dar certo em algumas regiões”, disse Lupi hoje (17) após participar do programa de rádio Bom Dia, Ministro.

Segundo ele, apesar do grande número de trabalhadores que ainda são submetidos à situação análoga à escravidão no país, o Brasil registrou avanços nos últimos anos no combate a esse tipo de crime. “No geral, nossa avaliação é positiva, o problema diminuiu. Antes o Brasil era denunciado porque não fazia nada, hoje o país é referência. A ONU está vindo aqui ver como agimos”, disse.

Em 2009, 3.769 pessoas foram resgatadas em condições análogas à escravidão pela fiscalização do Ministério do Trabalho. Este ano, até o início de maio, pelo menos 653 pessoas foram libertadas.

18/05/2010 - 5:57 - Diário do Povo (PI)

Estado do Piauí é o quinto colocado no trabalho escravo em todo o país

Os maiores importadores dessa mão de obra são os Estados do Maranhão, Tocantins, SP e Pará

O Piauí ainda ocupa lugar de destaque no ranking do trabalho escravo. Até 2002, o Estado era considerado o segundo maior exportador de mão de obra, ficando atrás apenas do Maranhão. De lá para cá, alguns avanços foram registrados e apesar de não haver dados oficiais, entidades que trabalham na prevenção e combate da exploração dos trabalhadores afirmam que o Piauí ocupa agora o quinto lugar desse ranking. Só no período entre 2007 e 2008, foram resgatados 1.364 piauienses que estavam trabalhando em condições de escravidão em outros Estados.

Os maiores importadores dessa mão de obra são os Estados do Maranhão, Tocantins, São Paulo e Pará. Em contra-partida, os municípios piauien-ses de Barras e José de Freitas são os que mais exportam. “Avaliamos que a situação do Piauí melhorou nos últimos anos, resultado do trabalho de prevenção e combate que vem sendo realizado. A implantação de políticas públicas também está ajudando a mudar as estatísticas”, afirmou Graça Ferreira, da Pastoral do Mi-grante. Ela diz que o Estado de São Paulo importa muita mão de obra daqui, principalmente para o corte de cana.

“Lá eles cortam até 15 toneladas de cana por dia. Um trabalhador desse com 15 anos de atividade já será um homem inválido”, completa. O resgate de trabalhadores piauienses também é comum no Maranhão e no Tocantins, onde o corte da Juquira é a atividade que prevalece. Em 2008, foram identificados pelo menos 24 municípios piauienses que exportavam esse tipo de mão de obra. Esse número pode ser bem maior, já que muitos casos nem chegam a ser notificados. “Além do Piauí, exportar mão de obra para outros Estados já foi identificado trabalho escravo em empresas locais”, disse.

Um caso recente foi encontrado nas carvoarias do município de Jerumenha (PI). Os resgates também são comuns no Estado do Pará, onde a fiscalização é mais rigorosa. Graça Ferreira diz que há uma comissão que trabalha no combate ao trabalho escravo, em parceria com Fetag, Comissão Pastoral da Terra, sindicatos e órgãos governamentais. “Trabalhamos em parceria com os sindicatos, que fiscalizam e denunciam. Nos municípios, realizamos oficinas pedagógicas, palestras. É um trabalho de divulgação da realidade, já que a população achava que essa prática era normal. Hoje, estamos criando uma opinião pública sobre o assunto e tentando mudar um pouco essa cultura”, disse.

Ela diz que o desenvolvimento de projetos vem dando mais oportunidades de emprego aos piauienses e evitando a migração forçada. “É possível trabalhar aqui sem precisar migrar para outros Estados nessas condições”, diz.

 
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