| Copa do Mundo – Todos os olhos voltados para a África do Sul |
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| 11.06.2010 |
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A Copa do Mundo de 2010 é a primeira realizada no Continente Africano, e está servindo para mostrar os vários aspectos que envolvem a cultura e a vida da população local.
Clique na imagem e faça o download da cartilha As atenções do mundo se voltam para a África do Sul. Depois de décadas de notícias ruins relacionadas ao regime de segregação racial – apartheid – extinto há quase 20 anos, à pobreza, à fome e à maior epidemia de Aids do Planeta, é por via do esporte que a África, em geral, e a África do Sul, em particular, ocupam o noticiário mundial. A Copa do Mundo de 2010 é a primeira realizada no Continente Africano, e está servindo para mostrar os vários aspectos que envolvem a cultura e a vida da população local. A vida realmente melhorou por lá, como mostram as dezenas de reportagens das emissoras que cobrem o mundial, mas ainda falta muito para superar décadas de desigualdades e ressentimentos entre a população. A realização do mundial de futebol gerou oportunidades para empresários e trabalhadores, como geralmente acontece nos países que sediam o torneio. Mas as obras e investimentos não significaram, necessariamente, melhoria na qualidade de vida da população. Especialmente em 2009 e neste ano, os trabalhadores que participaram da construção do Soccer City, em Johanesburgo, no bairro do Soweto, foram notícia em todo o mundo porque entraram em greve devido ao atraso no pagamento dos salários. Temia-se que as obras não ficassem prontas a tempo por causa da paralisação. As péssimas condições de trabalho, longas jornadas e baixíssimos salários, que sequer eram pagos em dia, ensejaram o protesto, que recebeu solidariedade da Federação Internacional de Futebol – Fifa, e alertas da Organização Internacional do Trabalho, em campanh a pelo trabalho decente. Foram cerca de 70 mil trabalhadores que aderiram às paralisações. Os problemas relacionados ao trabalho não ficaram restritos à África do Sul. A Cosatu, principal União Sindical sul-africana, denunciou que mesmo com um alto índice de desemprego no país – cerca de 40% - a produção dos bonecos do mascote da Copa, o Leopardo Kuzumi, foram produzidos por uma empresa chinesa. Os trabalhadores chineses receberam 3 dólares por uma jornada que chegava a treze horas diárias. Segundo a entidade sindical, a mesma Fifa que se solidarizou com os trabalhadores grevistas, foi conivente com um acordo que gerou mais de 130% de lucro por unidade na comercialização do boneco Leopardo Kuzumi. Em várias cidades que abrigarão os jogos da Copa, de acordo com denúncias dos movimentos sociais sul-africanos, a população foi “expulsa” de seus bairros para a construção de estádios. Os moradores foram empurrados para periferias e para “cidades de lata”, casas de zinco com cerca de 18m² sem conforto. Outro exemplo de exclusão foi a substituição dos táxis coletivos, correspondente ao transporte alternativo no Brasil, pelo modelo de transporte indicado pelo Banco Mundial, que não atende toda a população. Segundo as denúncias não foi criada qualquer alternativa para os trabalhadores dos táxis coletivos, que passaram a integrar a massa desempregada no país. Vários conflitos urbanos aconteceram por causa da mudança brusca.
Copa do Mundo – O Brasil na Copa
A seleção brasileira estreia na Copa do Mundo da África no próximo dia 15, terça-feira, mas não será preciso esperar até lá para ver jogadores brasileiros em campo. Desde hoje, 11 de junho, haverá participação de atletas brasileiros. O primeiro a participar desta festa será o técnico dos “Bafana Bafana”, seleção da África do Sul, Carlos Alberto Parreira. Ele tem o desafio de fazer com que o time, sem tradição, passe, pelo menos, para a segunda fase do mundial. Há brasileiros naturalizados nas seleções de Portugal (que enfrentará o Brasil no dia 25 de junho), da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos. Veja matéria do Portal IG:
Mundial terá seis brasileiros em outras seleçõesCopa do Mundo da África do Sul ficará marcada como o torneio com o maior número de brasileiros da história Fernanda Russo Filomeno, iG São Paulo 02/06/2010 08:09
Foto: Getty Images Nascido na Bahia, Liédson naturalizou-se português e vai para a Copa defender a seleção lusa Além dos 23 jogadores convocados por Dunga, será possível assistir a outros brasileiros em ação na Copa do Mundo da África do Sul. Naturalizados, eles defenderão as cores de outros países, e três deles inclusive enfrentarão o Brasil.. ![]() Foto: Getty Images
Feilhaber nasceu no Brasil, mas nunca atuou em um clube do país; ele vai jogar a Copa pelos EUA JAPÃO Copa do Mundo – Os Bafana Bafana
![]() Já começou o ruído ensurdecedor das vuvuzelas na África do Sul. A torcida com as cornetas é considerada o 13º jogador do time dos “Bafana Bafana”, expressão equivalente a “garotos”, como é conhecida a seleção da África do Sul, 90ª colocada no ranking da Federação Internacional de Futebol – Fifa. O técnico, o brasileiro Carlos Alberto Parreira, tem um grande desafio pela frente, de pelo menos, fazer com que o time avance para a segunda fase da competição, mantendo a tradição do mundial, de que o anfitrião sempre conseguiu esse feito. Os Bafana Bafana participaram da Copa em 1998 e 2002, sendo eliminados na primeira fase. Enfrentará, neste ano, dois campeões mundiais – França e Uruguai -, além do México. A realização da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul tem significados políticos importantes. O país de Nelson Mandela e Desmond Tutu, ambos detentores de um Prêmio Nobel da Paz, tem grandes desafios sociais e econômicos para superar, como o desemprego, a miséria e uma grande epidemia de Aids. O fim do regime do apartheid aproxima-se de duas décadas e o país realiza o sonho de Mandela de se mostrar ao mundo de forma mais positiva. A maioria negra da população, apesar das dificuldades, é alegre, sorridente, carregada de tradições, especialmente da etnia Zulu. O país tem paisagens belíssimas – como na Cidade do Cabo, três capitais – uma para cada Poder (Executivo - Pretória, Legislativo – Cidade do Cabo, e Judiciário – Bloemfonteim), onze línguas oficiais e as maiores reservas de ouro e diamante do Planeta. Apartheid – O regime de segregação racial foi imposto por holandeses em 1948. Em 1949, foi proibido o casamento entre negros e brancos. Em 1950, os negros foram obrigados a carregar um passe e proibidos de entrar nas cidades, sendo empurrados para subúrbios miseráveis. A resistência da população negra começou desde então, com o ápice nos anos 1970, quando houve muitos conflitos e mortes de milhares de negros, inclusive líderes populares. Nesta época foi preso Nelson Mandela, condenado à prisão perpétua, e o bispo Desmond Tutu começou uma campanha internacional pelo fim do apartheid e pela paz. A década de 1980 foi marcada por violent os conflitos, que ganharam visibilidade internacional. Vieram manifestações de todos os cantos do mundo e sanções econômicas, que levaram à libertação de Mandela em 11 de fevereiro de 1990. O fim do apartheid foi uma consequência deste processo, em 1992. Entretanto, o fim do regime não significa o fim do comportamento discriminatório: a segregação racial continua. Mandela foi eleito presidente da África do Sul em 1994. O seu partido, CNA, está na liderança desde então. Na estreia da seleção anfitriã ele não esteve presente em razão da morte de uma bisneta em acidente automobilístico. Desmond Tutu, alegremente, estava entre os torcedores. O placar do primeiro jogo – África do Sul x México – foi de empate por 1 a 1. O próximo adversário dos Bafana Bafana será a equipe do Uruguai, no dia 16 de junho. Veja matéria sobre a participação da África do Sul na Copa do Mundo de 2010: Sonho da África do Sul sediar a Copa começou após o fim do apartheid Soccer City foi erguido no lugar de estádio que abrigou discurso de Mandela. Mundial será a oportunidade de mostrar como o país evoluiu. Será uma abertura de Mundial cheia de significados. A Copa não será só um torneio ou uma festa. Será um prêmio a um homem, a um povo, a um país, a um continente. De repente, olhamos para o continente esquecido, representado por seu país mais rico - a África do Sul. A nova África do Sul. Dezesseis anos depois do fim do apartheid, a política de segregação racial, os sul-africanos estão orgulhosos. Estão loucos para mostrar o quanto caminharam, sem esconder seus problemas. Obras atrasaram. Houve greves pelo caminho. Houve medo de quem não é africano. E a segurança? Será que foi erro fazer uma Copa na África? O sonho de receber uma Copa começou assim que terminou o apartheid. Os sul-africanos se prepararam. Tentaram uma vez. Perderam para a Alemanha. Mas, depois a Fifa decidiu - a Copa de 2010 seria na África. Na última votação, vitória sobre Marrocos e a história reservou uma coincidência. Em fevereiro de 1990, três dias depois de sair da prisão, o ex-presidente e herói do fim do apartheid, Nelson Mandela, fez um discurso para uma multidão de 120 mil pessoas no antigo Soccer City. O estádio foi posto abaixo. Surgiu um novo. A África do Sul poderá mostrar o quanto mudou e Mandela estará na tribuna de honra. Aos 91 anos, verá o resultado de sua luta pela liberdade e, depois pela reconciliação. Será uma abertura de Mundial cheia de significados. A Copa não será só um torneio ou uma festa. Será um prêmio a um homem, a um povo, a um país, a um continente. Fonte: SINAIT
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