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Conatrae busca o diálogo para o combate ao trabalho escravo PDF Imprimir E-mail
10.10.2008
A diretora do escritório da OIT em Brasília, Laís Abramo, destacou que o relatório da OIT reconhece o trabalho que está sendo feito para o combate ao problema.

 

SINAIT - Publicada em: 10-10-2008

O SINAIT foi uma das entidades que participaram da reunião da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, realizada na tarde de ontem, 8-10, em Brasília, para discutir ações conjuntas com representantes do agro-negócio, para a erradicação do trabalho escravo no Brasil. O evento contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, da secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela e do substituto do ministro da Agricultura, Caio Brasileiro. O SINAIT foi representado pelo vice-presidente, Carlos Dias.

Com o slogan "Diálogo Institucional sobre Estratégias de Combate ao Trabalho Escravo" a reunião foi palco de discussões sobre as estratégias que poderão ser adotadas no sentido de angariar o apoio de empresários do agro-negócio e de toda a sociedade civil na luta contra uma chaga, ainda, presente em centenas de propriedades rurais por todo o País.

O coordenador da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, propôs dez compromissos a serem assumidos para o combate ao trabalho escravo. Segundo ele, um sistema de monitoramento das práticas já constatadas, o acompanhamento da situação das cadeias produtivas, são algumas das propostas que podem reduzir a utilização de mão-de-obra análoga a de escravo. As ações do Grupo Móvel de Fiscalização foram citadas por diversas vezes durante as discussões, e ressaltada a contribuição decisiva para o resgate de trabalhadores de condições degradantes.

A lista suja divulgada pelo MTE foi destacada como um dos poucos instrumentos utilizados como punição para os exploradores de mão-de-obra escrava e que se mostra muito eficaz, apesar da resistência de produtores rurais. “O Brasil é citado internacionalmente pelo combate à prática e os intrumentos utilizados são muito elogiados”, disse o ministro Vanucchi.
“Somente no primeiro semestre deste ano nós assinamos mais de 300 mil carteiras de trabalho por meio da fiscalização em todos os setores, o que prova a eficiência de nossos auditores", elogiou o ministro Lupi, completando que só nas ações de fiscalização do Grupo Móvel do MTE, foram resgatados quase 3,5 mil trabalhadores.
O superintendente Regional do Trabalho do Estado do Mato Grosso, Valdiney Arruda apresentou o trabalho daquela Superintendência em parceria com o governo do Estado para a promoção do trabalho decente. Valdiney comunicou a realização da conferência intitulada "Trabalho Decente para uma Vida Decente", que acontecerá amanhã às 19h, no auditório da Federação do Comércio (Fecomércio) daquela capital. Valdiney destacou a participação do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann, que ministrará palestra durante o evento.
A diretora do escritório da OIT em Brasília, Laís Abramo, destacou que o relatório da OIT reconhece o trabalho que está sendo feito para o combate ao problema. Para ela, é importante ampliar o número de instituições comprometidas com a luta. Segundo Laís, o combate ao trabalho escravo está diretamente ligado à promoção do trabalho decente.
“Os instrumentos utilizados no Brasil para o combate ao trabalho escravo são cobiçados em outros países e não são copiados por impedimentos administrativos”, informou o representante da Comissão Pastoral da Terra, Frei Xavier Plassat.
“É lamentável que das sete entidades representantes do setor do agro-negócio convidadas a participar da reunião, apenas três estão presentes. Se não acreditarmos no diálogo, não adianta”, declarou o ministro Vannuchi.
 
Participaram da reunião os representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Instituto Carvão Cidadão e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos e Vegetais (Abiove).
 
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