| OIT adota pela primeira vez norma de trabalho sobre HIV/Aids |
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| 20.06.2010 |
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A norma é o primeiro instrumento aprovado em nível internacional destinado a reforçar a contribuição do mundo do trabalho ao acesso universal à prevenção, tratamento, cura e apoio frente ao HIV.
Conferência Internacional do Trabalho Deseja saber + ? Por favor clique na foto! Conferência da OIT adota pela primeira vez uma GENEBRA (Notícias da OIT) – Representantes de governos, empregadores e trabalhadores reunidos na Conferência anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotaram hoje uma nova norma internacional de trabalho sobre HIV/Aids que constitui o primeiro instrumento internacional de direitos humanos dedicado especificamente a este tema no mundo do trabalho. A nova norma foi adotada pelos delegados presentes à Conferência Internacional do Trabalho depois de dois anos de debate intenso e construtivo, com uma votação de 439 a 4, com 11 abstenções.
A norma é o primeiro instrumento aprovado em nível internacional destinado a reforçar a contribuição do mundo do trabalho ao acesso universal à prevenção, tratamento, cura e apoio frente ao HIV. Contém disposições sobre programas de prevenção que poderiam salvar a vida de pessoas e sobre medidas antidiscriminatórias em nível nacional e no local de trabalho. Destaca, além disso, a importância do emprego e das atividades geradoras de renda para os trabalhadores e as pessoas que vivem com HIV. A Conferência adotou além disso uma resolução sobre promoção e implementação da norma, que pede ao Conselho de Administração da OIT a destinar mais recursos para a aplicação da nova norma, e um Plano de Ação Mundial para promover sua aplicação e a apresentação de relatórios periódicos por parte dos Estados membros da OIT. A Dra. Sophia Kisting, diretora do programa sobre HIV/Aids e o mundo do trabalho da OIT, disse que “com este novo instrumento de direitos humanos podemos aproveitar a força do mundo do trabalho e potencializar as intervenções no local de trabalho para melhorar de maneira significativa o acesso à prevenção, tratamento, cuidado e apoio. Creio que esta norma será uma contribuição fundamental para tornar realidade o sonho de uma geração livre da Aids”. A sra. Thembi Nene-Shezi, da África do Sul, que presidiu as discussões sobre a norma na Comissão sobre HIV/Aids, disse que “temos um instrumento que deveria ser motivo de orgulho para a OIT e seus mandantes. No entanto, não há tempo a perder. Devemos avançar e promover a norma. O compromisso dos que lhe deram vida – governos, empregadores e trabalhadores – será fundamental para o desenvolvimento de políticas no local de trabalho em nível nacional baseadas nos direitos humanos e orientadas a superar a discriminação”. O vice-presidente empregador da Comissão sobre HIV/Aids, Patrick Obath, do Quênia, disse: “a norma é para todos e reforça a luta contra o HIV/Aids. O mais importante agora é implementar políticas no local de trabalho em nível nacional que apoiem o que alguns empregadores já estão fazendo e que as ações sejam fortalecidas”. O vice-presidente trabalhador da Comissão, Jan Sithole, da Suazilândia, disse: “estamos orgulhosos de ter em nossas mãos um instrumento sempre precedentes para enfrentar o HIV/Aids no local de trabalho. Enquanto não existir uma cura, a única possibilidade que temos é utilizar o conteúdo deste instrumento em todos os níveis da sociedade”. A nova norma está na forma de Recomendação, uma das classes de normas de trabalho que a OIT pode adotar. Ainda que se diferencie de uma Convenção pois não necessita ratificação, de acordo com o artigo 19 da Constituição da OIT, uma recomendação deve ser comunicada ao Parlamento e devem ser discutidos os termos de sua implementação através de políticas e da legislação nacional. Esta recomendação complementa o repertório de recomendações práticas sobre o HIV/Aids e o mundo do trabalho da OIT adotado em 2001. Como é o caso da maioria das normas da OIT, seu conteúdo esteve sujeito a duas rodadas de discussão na Conferência da OIT em 2009 e 2010. Durante as discussões deste ano, o texto preliminar foi objeto de emendas que fortaleceram suas disposições nas áreas de igualdade de gênero, saúde reprodutiva e direitos, proteção social, segurança e saúde no trabalho e medidas para atender os grupos vulneráveis e marginalizados, como os trabalhadores migrantes ou em trânsito. “A recomendação não será somente um instrumento importante para guiar o trabalho da OIT e de seus mandantes, mas também melhorará a coordenação da comunidade internacional em torno da AIDS. Com disposições firmes sobre proteção e seguridade social, a recomendação consolidará o trabalho da OIT em apoio das dez áreas prioritárias da UNAIDS”, acrescentou a Dra. Kisting.. O instrumento final se baseia nos seguintes princípios:
A resposta ao HIV/Aids deveria ser reconhecidas como uma contribuição aos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, incluindo os trabalhadores e suas famílias; O HIV/Aids deveria ser reconhecido e tratado como uma questão que afeta o local de trabalho, e deveria incluir-se entre os elementos essenciais da resposta nacional, regional e internacional à pandemia com a plena participação das organizações de empregadores e de trabalhadores; Não deveria haver discriminação ou estigmatização contra os trabalhadores, em particular contra os que buscam ou pedem emprego, baseada em seu estado, real ou suposto, em relação ao HIV, ou baseado em sua condição de pertencer a grupos da população expostos a maior risco de infecção pelo HIV ou mais vulneráveis; A prevenção de todos os meios de transmissão do HIV deveria ser uma prioridade fundamental; Os trabalhadores, suas famílias e as pessoas que os cercam deveriam ter acesso e beneficiar-se de serviços de prevenção, tratamento, atenção e apoio em relação ao HIV/Aids, em particular no que se refere a seus próprio estado em relação ao HIV; Não deveria exigir-se de nenhum trabalhador que se submeta a uma provação de detecção do HIV nem que revele seu estado em relação ao vírus; As medidas para enfrentar o HIV/Aids no mundo do trabalho deveriam ser parte das políticas e dos programas nacionais de desenvolvimento, incluídos os relacionados com o trabalho, a educação, a proteção social e a saúde; A proteção dos trabalhadores que realizam trabalhos particularmente expostos ao risco de transmissão do HIV. A norma proposta obteve o apoio da UNAIDS e da OMS durante as discussões da Conferência Internacional do Trabalho. 17.06.2010 Leia Também: HIV/Aids Combate ao HIV/Aids no mundo do trabalho será tema de Simpósio em Brasília O combate ao HIV/Aids a partir do local de trabalho é uma das bandeiras da OIT, que deve adotar brevemente uma nova norma laboral sobre o tema. Em discussão, o combate à Aids no local de trabalho BRASÍLIA (Notícias da OIT) – Uma ampla discussão sobre o combate ao vírus HIV/Aids no mundo do trabalho é o principal objetivo do Seminário que ocorrerá em Brasília no dia 16 de junho, na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio. O Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil é um dos promotores do evento, que terá entre os palestrantes a especialista em HIV/Aids da OIT Ana Lúcia Monteiro. O combate ao HIV/Aids a partir do mundo do trabalho é uma das bandeiras da OIT, que deve adotar brevemente uma nova norma laboral sobre o tema. O Repertório de Recomendações Práticas da OIT sobre o HIV/Aids e o Mundo do Trabalho, lançado em 2001, continua sendo um referencial importante na luta que deve ser travada cotidianamente para deter o avanço da doença. E isto assume particular importância quando se trata do mundo do trabalho. Atualmente, mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o HIV/Aids e mais de 90 por cento delas são adultos em plena idade produtiva e reprodutiva. A OIT, fiel aos seus princípios de busca pela justiça social, continua mantendo a promessa de permitir que os trabalhadores soropositivos conservem seus empregos. Eliminar o estigma e a discriminação relacionados com o HIV/Aids no mundo do trabalho é um dever associado à dignidade do trabalho e dos trabalhadores. As políticas e estratégias de prevenção e tratamento são indispensáveis para a força de trabalho. Por isso, devem beneficiar a todos os trabalhadores, onde quer que estejam, inclusive na economia informal e nos setores rurais. 14.06.2010 Fonte: OIT |