| "Rio de Janeiro" Fiscais do Ministério do Trabalho vão à fábrica onde jovem perdeu braço |
|
|
|
| 20.08.2010 |
|
Objetivo da fiscalização é saber em que condições ocorreu o acidente. Previsão é de que o relatório seja concluído em até 30 dias.
20/08/2010 16h59 - Atualizado em 20/08/2010 16h59 Bernardo Tabak Do G1 RJ Objetivo da fiscalização é saber em que condições ocorreu o acidente. Previsão é de que o relatório seja concluído em até 30 dias.
Fiscais do Ministério do Trabalho foram, nesta sexta-feira (20), à fábrica da Produtos Alimentícios Cadore S/A, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O objetivo da inspeção é verificar em que condições ocorreu o acidente com um funcionário que perdeu um braço em um triturador de massas, na manhã de segunda-feira (17). De acordo com a assessoria de comunicação do Ministério do Trabalho, os fiscais souberam do acidente através da imprensa. Ainda de acordo com a assessoria, o relatório deve estar concluído entre 15 e 30 dias. Rafael Costa de Souza, de 25 anos, afirmou, em depoimento a policiais da 64ª DP (São João de Meriti), que, apesar de ter sido contratado como “auxiliar de produção”, desde que entrou na empresa exerce a função de “operador de máquina”. “Na carteira de trabalho dele está o cargo de ‘auxiliar de produção’. Isso caracteriza um desvio de função”, afirmou o advogado Geraldo Flávio Campos Dias, que defende Rafael. “Eu não sou operador de máquina. Não me deram treinamento nenhum”, disse Rafael Costa de Souza, de 25 anos, em entrevista ao G1. “Por várias vezes eu pedi para trocar de setor”, acrescentou o jovem, que trabalhava há sete meses na fábrica. O que diz a empresa “Essa função é exercida por auxiliares de produção porque não precisa ter expertise de operação de máquina. Basicamente, o trabalho é abastecer o equipamento”, explicou Claudia Scofano. Cláudia Scofano afirmou que todas os funcionários da Cadore são treinados para trabalhar com as máquinas. “Tenho que verificar com o encarregado do setor se o Rafael não foi treinado”, disse. Ainda de acordo com a diretora-administrativa, o que ocorreu foi um acidente de trabalho e que, segundo o responsável pela área onde Rafael trabalhava, o funcionário teria agido com imprudência. Leia + ... 20/08/2010 07h00 - Atualizado em 20/08/2010 07h34 Jovem que perdeu braço em triturador diz que não recebeu treinamento Empresa diz que situação trabalhista do funcionário era normal. Acidente ocorreu na segunda-feira, na fábrica de massas Cadore.
O jovem que perdeu um braço despedaçado em um triturador de massas na fábrica da Produtos Alimentícios Cadore S/A, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, afirmou, em depoimento a policiais da 64ª DP (São João de Meriti), que, apesar de ter sido contratado como "auxiliar de produção", desde que entrou na empresa exerce a função de "operador de máquina".
O acidente ocorreu na manhã de segunda-feira (17). "Na carteira de trabalho dele está o cargo de 'auxiliar de produção'. Isso caracteriza um desvio de função", afirmou o advogado Geraldo Flávio Campos Dias, que defende Rafael.
A diretora-administrativa da Cadore, Claudia Scofano, explicou que não há operadores de máquina trabalhando no triturador de massas, mas somente auxiliares de produção, já que, segundo ela, o triturador "não é uma máquina para ser operada e não precisa de parâmetros para funcionar", pois só tem o botão liga/desliga. Funcionário conta que ficou com braço preso por dez minutos Ainda no depoimento, Rafael relata que operava o triturador “sem os equipamentos de segurança necessários”, e que “já havia reclamado com seus superiores sobre a falta de máscaras e óculos de proteção, mas a empresa alegava que o material estava em falta”. “O certo é ter um operador de máquina para trabalhar no triturador, junto com um auxiliar. Se tem alguém do meu lado, podia desligar a máquina. Eu teria perdido um dedo, ou uma mão, mas perdi meu braço todo”, conta Rafael. Apesar de afirmarem que a Cadore está apalavrada em dar assistência a Rafael, os advogados do funcionário fizeram algumas críticas à empresa. “Eu acho que a empresa está acanhada na prestação de serviços e no pós-operatório”, afirmou Campos Dias. “Nós é que levamos o Rafael para casa quando ele teve alta do hospital. Isso denota uma falta de atenção da empresa, por não ter providenciado um carro para levá-lo”, complementou Fonseca Vieira. Diretora-administrativa da Cadore diz que empresa está prestando toda a assistência A diretora-administrativa informou que a Cadore está prestando toda a assistência necessária a Rafael e acredita que estão ocorrendo “ruídos na comunicação”. “Vamos dar uma cesta básica para ele e oferecemos uma psicóloga da empresa, mas a família está recusando nossa ajuda. Inclusive, eles não aceitaram um cartão, assinado pelos funcionários, que enviamos junto com flores”, contou Cláudia Scofano. “Mandei para a família uma carta com um e-mail, número de fax e cinco telefones para que não haja dificuldade em passar as receitas e os medicamentos necessários, que vamos custear. Nós estamos fazendo um plano de saúde para o Rafael, que pode ser aposentado por invalidez ou ser recolocado na empresa, após uma preparação específica”, afirmou a diretora-administrativa. “Todos os traslados dele serão custeado por nós. Só peço, caso a família precise de locomoção, que avise com 24 horas de antecedência”, acrescentou. Rafael diz que está sentido muita dor e que sente uma imensa dificuldade para dormir. “Dói muito, e eu choro às vezes. É difícil sair de casa. Só dá para utilizar uma mão quando tomo banho, para me limpar”, conta ele. Fonte: G1 |