| "Combate ao Trabalho Escravo" - Trabalhadores ameaçados são libertados de carvoaria |
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| 29.03.2011 |
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Fiscalização libertou 20 trabalhadores de carvoaria dentro da Fazenda Pedra Branca, em Natividade (TO), beneficiada por financiamento público. Vítimas viviam em condições desumanas e ainda eram ameaçadas pelo empregador
Por favor clique no banner e saiba +... 29/03/2011 - 13:30 Por Bianca Pyl e Maurício Hashizume O grupo móvel de fiscalização libertou 20 pessoas de trabalho análogo à escravidão em carvoaria do Tocantins. A ação, realizada no mês passado, teve participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
As vítimas estavam submetidas a condições degradantes de trabalho e eram constantemente ameaçadas. O empregador confessou já ter agredido um trabalhador, com socos e chutes. Os trabalhadores declararam ainda que o patrão andava armado para intimidá-los. Entretanto, os agentes da PF não localizaram nenhuma arma de fogo no local.
De acordo com a procuradora do trabalho Ana Raquel Souza Sampaio, os trabalhadores consumiam água vinda de uma cisterna, sem passar por nenhum processo de filtragem. Além disso, dividiam uma mesma tampa de garrafa térmica durante a jornada. Havia duas frentes de trabalho, com dez fornos em funcionamento, sem instalações sanitárias e com exposição a altas temperaturas. Não eram fornecidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) . As cargas de carvão era carregadas no ombro e alguns trabalhavam sem camisa. "Apesar da alta temperatura e da grande quantidade de fumaça e poeira, nenhum dos trabalhadores utilizava qualquer protetor respiratório. Alguns, inclusive, laboravam sem camisa, usando apenas bermuda e chinelo", descreve a procuradora do trabalho. Os trabalhadores foram contratados entre novembro do ano passado e janeiro deste ano. Eles não eram migrantes de regiões distantes. Eram moradores da região, mas não a ponto de ir e voltar todos os dias. Dos 20 libertados, 18 não tinham assinatura na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS). Os pagamentos eram feitos de forma irregular. O advogado do empregador chegou a preparar e apresentar documentos assinados pelos trabalhadores em que eles próprios declaravam retornar uma vez por mês para suas casas e que, portanto, não estavam sendo submetidos a condições análogas à escravidão. "Isso não tem nenhuma validade diante do flagrante", comenta a procuradora. Após a fiscalização, a carvoaria foi interditada e houve assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no qual o empregador se comprometeu a melhorar as condições de trabalho, entre outras obrigações. Ele pagou R$ 1 mil de dano moral individual para cada trabalhador, além de R$ 5 mil por dano moral coletivo, que será convertido em comprar para os setores de saúde e educação, segundo a procuradora do trabalho.
Gameleira
As funções dos trabalhadores eram o preparo do carvão e o carregamento do produto até o caminhão. A fiscalização constatou que a escada utilizada no carregamento era inadequada. "O empregado levava os sacos de carvão diretamente nas costas, sem qualquer segurança", detalha a procuradora do Trabalho, que acompanhou a ação. Os trabalhadores disseram que os alimentos e objetos de uso pessoal são fornecidos sem que haja desconto nos salários. Não houve reclamações sobre a qualidade da comida preparada no refeitório. "Eles manifestaram vontade de permanecerem trabalhando no local", disse a procuradora. Os empregadores assinaram TAC com a finalidade de adequar o meio ambiente de trabalho. Comprometram-se a imprimir e encaminhar ao MPT de Gurupi (TO) 20 mil cartilhas sobre combate ao trabalho degradante em carvoarias. Os proprietários poderão pagar até R$ 10 mil de multa por item descumprido, valor a ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Notícias relacionadas: Fonte: Repórter Brasil |