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AUDITORIA-FISCAL DO TRABALHO - Um auditor contra a cultura do improviso PDF Imprimir E-mail
24.08.2011

Em 2009, o auditor fiscal do Trabalho, Carlos Alberto Pontes, poderia ter se tornado o mais odiado dos homens na cidade de Patos,  o quarto maior município da Paraíba, com uma população estimada em mais de 120 mil habitantes. Na ocasião, por apresentarem problemas de segurança, Pontes embargou dez obras na cidade (que vive acelerado processo de verticalização) mas ao invés do desconforto que suas ações poderiam gerar, o que  ouviu dos agentes públicos foi um pedido de ajuda para solucionar a insegurança nos canteiros pela raiz.

 

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(imagem 01)

Equipe do Blog , 19 de agosto de 2011

Por Sandro Guidalli, em Patos (PB)

Daí a criação de um decreto que torna mais rigoroso o processo de liberação de alvarás de construção na cidade. Agora, os empreendedores precisam apresentar um projeto de engenharia de segurança do trabalho condizente com o projeto da obra para poder obter a licença. São equipamentos de proteção coletiva que podem ser usados em outros empreendimentos e que diminuem os riscos de queda e de choques elétricos, principais causas de óbitos em obras no país. Em outras palavras, isso pode ser o fim das gambiarras.

“Nós esperamos que a cultura do improviso que produz essas mortes  seja abandonada em Patos e que o exemplo do município sirva para cidades como João Pessoa e Campina Grande. Quando a engenharia de segurança do Trabalho passa a fazer parte da rotina das obras, estamos querendo dizer que isso significará menos mortes, mais segurança, mais economia. Todo mundo ganha com isso”, resume Pontes.

Ele participou ontem (18) de um encontro que reuniu mais de 200 pessoas na cidade em que o decreto e o problema da falta de segurança nos canteiros foram amplamente abordados. Pontes continuará fiscalizando a cidade. Mas espera que nos próximos anos deixe de constatar os problemas que hoje vê.

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Programa diminui acidentes e inspira nova mentalidade

na Construção na Paraíba

Equipe do Blog , 22 de agosto de 2011

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Exemplo de proteção coletiva insegura/Carlos Pontes SRTE-PB

Em seis anos, o número de mortes por choques elétricos no canteiros de obras em João Pessoa (PB) foi grandemente reduzido por um programa elaborado e executado pelo Comitê Permanente Regional (CPR) na Paraíba e intitulado Programa de Redução de Acidentes Elétricos na Indústria da Construção, o PRAE.

Seu grande trunfo: a mudança de mentalidade dos empresários que perceberam a economia de custos quanto trocaram a cultura do improviso pela cultura do projeto de engenharia de segurança do Trabalho.

Segundo a auditora fiscal do Trabalho em João Pessoa, Soraia di Cavalcanti Pinheiro, uma das coordenadoras do PRAE, de 2005 a 2011 ocorreram dois óbitos por choque elétrico, um em 2008 e outro em 2010. Antes, a cada dez acidentes na cidade, seis tinham como motivo o choque elétrico.

“O acidente de 2010 foi um lapso do funcionário da concessionária responsável por liberar a energia para o canteiro. Ele não se baseou no projeto elétrico para o canteiro e sim no projeto da edificação”, relata Soraia.

Ela destaca, porém, que o programa obteve êxito porque soube conduzir a uma mudança de mentalidade.

“Os empresários passaram a se interessar pelo projeto. Eles ainda achavam na época que o custo era alto para se fazer o projeto de engenharia de segurança. Com o tempo, uma das empresas fez um modelo de projeto e com quadros móveis. As construções vão aumentando e a energia vai subindo e eles fizeram um modelo e a empresa verificou que com as instalações projetadas eles as aproveitariam em outras obras, com custo diluído. Eles começaram a entender que aquilo não era só gasto. As gabiarras eram jogadas fora e com esse projeto não, havia o reaproveitamento de tudo”.

No Brasil, são três as principais causas de acidentes em obras. Os choques elétricos, a queda e o soterramento. Soraia acredita que o que houve em João Pessoa no âmbito elétrico pode vir a acontecer no âmbito da insegurança coletiva no trabalho em altura.

“É algo que pode ocorrer no médio e longo prazo. É uma mudança de mentalidade, de cultura e isso demora. O importante é começar a fazer”, diz ela.

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Flagrantes da cultura do improviso

Equipe do Blog , 23 de agosto de 2011

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(imagem 02)

O auditor fiscal do Trabalho, Carlos Pontes, coleciona, há alguns anos, imagens de irregularidades encontradas em obras vistoriadas por ele na Paraíba. Os problemas vão desde o funcionamento de serras elétricas sem a proteção do disco instalada em laje desprotegida (imagem 01) até a ocorrência do trabalho em laje sem a devida proteção periférica (imagem 02).

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(imagem 03)

A insegurança do trabalho em altura nos canteiros é bem comum, como atesta a (imagem 03).

Os registros são do próprio auditor Carlos Pontes.

Fonte: Blog do Trabalho

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