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AUDITORIA-FISCAL DO TRABALHO - 29º Enafit - Trabalho decente ainda é uma realidade distante PDF Imprimir E-mail
15.09.2011
As práticas brasileiras de combate ao trabalho escravo têm sido referência para vários países. Segundo o Auditor, ninguém falava nesta prática até a fiscalização do trabalho intensificar suas ações, com a criação do grupo móvel. “Os poderes constituídos estão se convencendo desta realidade a partir de informações da Auditoria Fiscal do Trabalho. Antes o processo de libertação era apenas ir ao local, autuar, e entregar informações às autoridades. A partir da criação do grupo móvel nossa realidade mudou e felizmente a dos trabalhadores também”, comemorou. Ele citou a Lista Suja, que em sua opinião, é um belíssimo instrumento de proteção do trabalhador.

 

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15-09-2011 - SINAIT

A Atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho na defesa do trabalho decente foi tema de um painel nesta quarta-feira, 14, no 29º Enafit. O Auditor-Fiscal do Trabalho José Gomes da Sila (AL), que falou sobre trabalho infantil, lembrou que a Inspeção do Trabalho no Brasil surgiu há 120 anos justamente para coibir o trabalho de menores. Ele citou a criação de diversos instrumentos que contribuem para o avanço da fiscalização, como o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, a Constituição Federal, a Lei Orgânica da Assistência Social, a ratificação das Convenções 138 e 182 da Organização Internacional do Trabalho - OIT e os conselhos tutelares. Estes últimos ele considera fundamentais para o sucesso da fiscalização do trab alho infantil.
 
“Quem vive o dia a dia da fiscalização sabe a importância dos conselhos tutelares. Eles são parceiros confiáveis e talvez indispensáveis à fiscalização”, ponderou. José Gomes, que é Auditor-Fiscal desde 1983, disse que uma das piores missões que já recebeu do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE foi elaborar lista com relação das piores formas de trabalho infantil, que são os trabalhos prejudiciais à saúde e à segurança e aqueles prejudiciais à moralidade.
 
De acordo com o Auditor-Fiscal, a Instrução Normativa 77, que cria um marco na fiscalização do trabalho infantil, deu aos Auditores a possibilidade de encaminhar as crianças para os programas sociais dos governos federal, estaduais e municipais. “Com base na IN 77 fazemos o termo de afastamento para o possível empregador. A Instrução nos ajuda muito, pois além do termo de afastamento, encaminhamos dados sobre a situação da criança aos órgãos competentes”.
 
José Gomes apresentou dados que mostram o número de crianças afastadas em todos os estados brasileiros. A Bahia aparece em primeiro lugar com 640 menores, seguida pelo Mato Grosso do Sul, com 503 e Espírito Santo, com 392. No afastamento por gênero, são 84% do sexo masculino, contra 16% feminino, e segundo o Auditor isso não significa que há um abismo em relação ao número de meninos trabalhando, mas é o resultado de não existir ação direcionada para o trabalho infantil doméstico, que em sua opinião, reduziria a diferença para 60% de homens e 40% de mulheres.
 
Um novo olhar sobre o trabalho escravo
O trabalho escravo que ainda persiste no país foi apresentado de uma forma diferente pelo Auditor-Fiscal do Trabalho Valdiney Antônio de Arruda. Para ele, quatro componentes são fundamentais para que ocorram mudanças no olhar pela promoção do trabalho decente: contexto, instituições, agentes e eventos. E se ateve às instituições que, se bem organizadas, têm o poder de promover tais mudanças.
 
Valdiney recorreu à história para mostrar o início do processo de escravidão. Em 1780, meio milhão de africanos trabalhavam no plantio da cana-de-açúcar em colônias britânicas; mais de 3,5 milhões de africanos foram traficados para o Brasil e a maioria dos proprietários era de classe média. Em 1999, a OIT sintetizou a sua missão histórica: promover oportunidades para que homens e mulheres possam conseguir um trabalho produtivo e de qualidade em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana. Apesar de todos os esforços para a erradicação do trabalho escravo a OIT estima que exista atualmente 12 milhões de pessoas escravizadas no mundo.
 
As práticas brasileiras de combate ao trabalho escravo têm sido referência para vários países. Segundo o Auditor, ninguém falava nesta prática até a fiscalização do trabalho intensificar suas ações, com a criação do grupo móvel. “Os poderes constituídos estão se convencendo desta realidade a partir de informações da Auditoria Fiscal do Trabalho. Antes o processo de libertação era apenas ir ao local, autuar, e entregar informações às autoridades. A partir da criação do grupo móvel nossa realidade mudou e felizmente a dos trabalhadores também”, comemorou. Ele citou a Lista Suja, que em sua opinião, é um belíssimo instrumento de proteção do trabalhador.
 
Disposição para vestir a camisa
O Auditor-Fiscal do Trabalho Márcio Leitão (MG), apresentou um vídeo que mostra a situação de trabalhadores resgatados na Região Norte. “A ideia foi cobrir uma ação em local em que encontrássemos todas as situações possíveis. Se não tiver Auditor com disposição o trabalho não sai. A Auditoria-Fiscal do Trabalho precisa de gente que veste a camisa, não só no combate ao trabalho escravo”. Para Márcio, o Auditor tem que ter um olhar diferenciado e lembrou que na ação mostrada no vídeo, um dos trabalhadores é alcoólatra e receberia uma indenização superior a R$ 25 mil. Para evitar que ele fizesse mau uso do dinheiro chamaram a filha, que participou do processo. Em seguida o trabalhador comprou uma casa para a família. Márcio parabenizou Auditores-Fiscais novos qu e chegaram com garra e participaram desta ação.
 
Rosa Jorge, de Goiás, lembrou que em 2008 o Sinait produziu o vídeo Frente de Trabalho, que também denunciava as condições dos trabalhadores em situação de escravidão e lamentou que o vídeo apresentado agora aponta que pouca coisa mudou. “Não se pode dizer que não tem mais trabalho escravo no Brasil e que não precisa do grupo móvel. Isso não é verdade. Os Auditores-Fiscais do Trabalho fazem e podem fazer muito mais: podemos transformar o mundo. Que a gente continue este trabalho, apesar de todas as dificuldades”, disse.  
 
Terceirização
A precarização do trabalho na construção civil foi apresentada pela Auditora Francimary Oliveira (AM). O fenômeno, que cresce a cada dia em função da globalização, tem ganhado espaço no Brasil, principalmente na construção civil em função de grandes obras que estão sendo feitas para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “A pejotização vem crescendo e mascarando a relação empregatícia. Todo esse problema leva ao aumento do número de acidentes de trabalho no setor”, disse.
 
Francimary disse que o entendimento da maioria doutrinária e jurisprudencial interpreta a questão à luz dos requisitos da relação de emprego (artigos 2º e 3º da CLT), que são: não-eventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade; os quais determinam a existência ou não da relação de emprego diretamente com a empresa tomadora dos serviços terceirizados (Contrato trilateral).
 
A Auditora falou ainda, que além de terceirização de trabalho há a quarteirização, em que as empresas repassam para outras a obrigação contratual firmada com a tomadora dos serviços. Essas contratações, irregulares ou ilegais, geram alto índice de informalidade, não observância das Normas sobre Segurança e Saúde do Trabalho, excesso de jornada e alta rotatividade da mão-de-obra do setor.

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15-09-2011 - SINAIT...

29º Enafit - Momento Cultural 

Robervam Du Nascimento lança livro de poesias

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A poesia tomou conta do 29º Enafit com o lançamento da 2ª edição do livro Espólio, de Rubervam Du Nascimento, Auditor-Fiscal do Trabalho que atua no Piauí. As experiências do autor durante as ações de fiscalização, que ele considera como uma das matérias-primas da linguagem poética, estão nos temas de diversos poemas contidos no livro.  
 
Espólio foi vencedor do VI Prêmio Literário “Livraria Asabeça”, de São Paulo, em 2007, na categoria Poesia. De acordo com Rubervam, a primeira edição do livro teve sucesso na Bienal de São Paulo do mesmo ano, além de êxito surpreendente nas vendas em geral. Por isso, está na segunda edição.
 
O autor deu um depoimento que emocionou a plateia. Contou que a inspiração para uma de suas poesias ocorreu durante uma ação do Grupo Móvel de combate ao trabalho escravo em Minas Gerais. Segundo ele, quando a equipe chegou ao local não encontrou ninguém no espaço em que, há poucos instantes, estariam os trabalhadores.
 
“Em determinado momento descobri que, quem estava utilizando o trabalho infantil, colocou as crianças dentro dos fornos”. Rubervam afirmou que se espantou com a figura que viu. “Lembro que os olhos da criança eram claros, ela estava coberta de fuligem, aquela imagem ficou comigo. Eu não faria esse poema se não fosse Auditor-Fiscal do Trabalho”, ressaltou emocionado.
 
Ele definiu Espólio como algo bem abstrato. “É uma tentativa de resgatar alguma coisa nossa que está aí perdida, que a gente esquece e não busca mais”.
 
Rubervam Du Nascimento nasceu na ilha de Upaon-Açú, no Maranhão. Vive e trabalha em Teresina. É formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Piauí. Compõe a Editoria de Literatura da Revista de Cultura Pulsar. Já ganhou vários prêmios literários. Além de Espólio já escreveu três livros individuais: A Profissão dos Peixes, Marco Lusbel desce do Inferno e Os cavalos de Dom Rufino.

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14-09-2011 - SINAIT... ...

29º Enafit – Oficinas finalizam propostas

de revisão da nova metodologia da fiscalização

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Auditores-Fiscais do Trabalho finalizaram as propostas de revisão da Portaria 546, que instituiu a nova metodologia da fiscalização. Sinait e SIT deverão ter uma reunião técnica para tratar das sugestões  

Na tarde de terça-feira e na manhã de quarta-feira, 12 e 13 de setembro, Auditores-Fiscais do Trabalho que participam do 29º Enafit discutiram a nova metodologia da Fiscalização do Trabalho e elaboraram propostas para sanar o que foi detectado como problemas do atual modelo.
 
Cinco grupos trabalharam, separadamente, os temas Capacitação e participação; Gestão de pessoas; Planejamento e gestão; Organização e procedimentos trabalhistas; e Avaliação e controle. Os grupos foram monitorados por uma equipe de consultores especializados em planejamento e avaliação participativos da empresa Matres Gestão Socioambiental, que também conduziu a primeira etapa das oficinas, realizada em Brasília, de 9 a 12 de agosto.
 
O ponto de partida para os debates foi justamente o relatório gerado pelas oficinas regionais de Brasília. A discussão neste Enafit aprofundou o debate na tarde de terça-feira, com participação de um grupo maior de Auditores-Fiscais do Trabalho, que analisaram as primeiras propostas e ampliaram com novas proposições.
 
Na manhã de quarta-feira, num segundo momento, todos os grupos se reuniram e as propostas foram apresentadas e submetidas à apreciação da plenária.
 
Conversa com a SIT
O último momento foi uma conversa com o Auditor-Fiscal do Trabalho Renato Bignami, representante da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT. Rosângela Rassy, presidente do Sinait, resgatou a memória de como as oficinas foram construídas. Desde a publicação da Portaria 546 o Sinait recebeu muitas reclamações de colegas de todo o país e constituiu um grupo de trabalho que estudou os vários aspectos da portaria e enviou sugestões à SIT. A ideia de ampliar o debate amadureceu e culminou na realização das oficinas. Primeiro foram feitas oficinas regionais e depois esta grande oficina na programação do Enafit.
 
O Sinait, esclareceu Rosângela, não propõe a revogação da nova metodologia nem é contra o modelo, por si só. Apenas deu oportunidade à discussão da nova metodologia que, de certa forma, foi imposta a toda a categoria, e que até o presente momento, não foi objeto de avaliação por iniciativa da Administração. Um rico material foi recolhido e agora será entregue à SIT.
 
Andrea Zimmermann, da Matres, explicou a metodologia utilizada e os resultados obtidos. 219 Auditores-Fiscais do Trabalho participaram das oficinas nos cinco grupos de trabalho. Foram identificados 79 problemas e 195 soluções. Ela observou que para alguns problemas detectados houve dificuldades de apontar soluções. O relatório final será entregue ao Sinait na semana que vem.
 
Renato Bignami disse que gostaria de conhecer imediatamente os problemas e soluções apontados. Ele acredita que para muitas questões a SIT já tenha respostas, mesmo sem conhecer o documento. Ele não considera que a metodologia utilizada seja uma ruptura com o momento anterior, mas uma evolução natural para melhorar a eficácia, eficiência e efetividade da Fiscalização do Trabalho, para fazer diferença nas relações do trabalho. Segundo ele, muitos colegas contribuíram para a construção dessa forma de trabalhar e os projetos já existiam em muitas Superintendências, de forma que a novidade foi uniformizar os procedimentos. O conceito é de uma fiscalização mais preventiva do que de atendimento a denúncias. A Administração, disse ele, quer atingir os principais focos de irregularidades com planejamento.
 
Bignami ressaltou que a SIT está investindo e acreditando em capacitação e aproveitando o potencial dos colegas que desenvolvem os sistemas que estão sendo absorvidos pela Administração. O objetivo é adotar um sistema único para facilitar o trabalho de todos. A SIT, fez questão de frisar, é uma secretaria técnica, apesar de lidar com questões políticas também, e está sempre procurando melhorar as condições de trabalho.
 
A opinião dos Auditores-Fiscais do Trabalho
Em seguida às falas de Rosângela e Bignami, representantes dos grupos de trabalho expuseram, brevemente, suas impressões sobre o trabalho e o que esperam da SIT.
 
Mônica Duailibi disse que percebeu que muitas questões levantadas como problemas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho são, na realidade, particularidades da gestão das chefias, que podem ser resolvidas em âmbito local. Ela afirmou que espera que a SIT trate os problemas e soluções levantados com transparência e diálogo e que, no caso de não atendimento das demandas, justifique de forma consistente, qualificada e coerente, afastando-se da negativa apenas baseada na hierarquia e autoridade.
 
A valorização da base na construção das normas foi a reivindicação de Humberto Melo, reivindicando o diálogo e a criação de um espaço regular para discutir metodologia e metas. Na opinião dele a capacitação deveria ser tratada como um projeto e também ter metas a cumprir.
 
Capacitação dos gestores foi o destaque de Crisóstomo Basílio, ressaltando que essa carência já foi explicitada antes. Ele afirmou que é muito difícil assumir chefias sem ferramentas adequadas de gestão e que isso dificulta o bom andamento dos projetos.
 
Ênio Soares sublinhou a dicotomia entre qualidade e quantidade, cuja solução, em seu entendimento, não é de fácil solução, nem a curto prazo. O modelo de fiscalização por projetos, para os Auditores-Fiscais do Trabalho da área de segurança e saúde, disse, não é novidade, pois em muitos estados já se trabalhava assim. O que é preciso agora é corrigir erros e desperdícios e definir de forma mais clara a função do coordenador, que considera vaga.
 
Em nome da SIT, Bignami afirmou que a forma de trabalho da Secretaria não centralizada, mas em equipe e que todos são Auditores-Fiscais do Trabalho ocupando temporariamente cargos internos. Disse que o diálogo com os coordenadores é constante, reconheceu que existem problemas, concordou que a capacitação de gestores é importante e afirmou que os recursos para isso estão sendo buscados, por exemplo, na cota dos repasses do Conselho Curador do FGTS para treinamento. Nesse ponto, em particular, ele frisou que a arrecadação do Fundo tem crescido com a uma ação direcionada e intensificada, e que é preciso continuar assim, para garantir a contrapartida aos recursos liberados para a fiscalização.
 
Ele discordou que haja dicotomia entre qualidade e quantidade no atual modelo, ressaltando que ambos são importantes. As ferramentas de informática, segundo Renato, estão sendo modernizadas justamente para melhorar essa relação.
 
Para fechar, Rosângela agradeceu a participação dos Auditores-Fiscais do Trabalho que se envolveram com a discussão nas oficinas e que compreenderam o objetivo do Sinait de proporcionar o debate, de elaborar um documento, registrar e ter um projeto sobre esse tema. “É uma ferramenta produzida com o esforço de todos, tem valor, pois representa o pensamento e as necessidades de quem está na base, colocando em prática a metodologia”, disse a presidente.
 
O documento será apresentado à SIT e, por sugestão de Renato Bignami será marcada uma reunião técnica para tratar o assunto. O Sinait, afirmou Rosângela, vai acompanhar, reivindicar e trabalhar pela absorção das propostas. “O objetivo como Sindicato é defender esse trabalho dos filiados”.
 
O relatório completo será divulgado em nosso site, na área restrita, tão logo seja disponibilizado pelos monitores.

 
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